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Mãos Sujas, de novo!

Luiz Carlos Merten

17 de novembro de 2019 | 13h03

Tive ontem um sábado perfeito, e intenso. Fomos, no final da manhã, Emília Silveira, Orlando Margarido, Marcus Fernando e a mulher, Renata, almoçar em Santos, no Paquito, onde se juntou a nós a Cristina Saliba. Frutos do mar, caipirosca, vinho branco, sangria. Se vino al mundo y no bebe vino, por que vino? Nós bebemos. Depois do almoço, fomos tirar foto no cine pornô em frente, que se chama Júlio Dantas, o nome do proprietário, Sensacional! Fomos depois tomar café (no Museu do Café, onde mais?), passeamos de carro pela orla e tipo 18h30 voltamos para São Paulo, porque às 8 íamos ver – eu, rever -, no Sesc Ipiranga, o Sarte de José Fernando Peixoto de Azevedo, Mãos Sujas. Margarido meteu o pé, e não é que dirige bem, e rápido, o tiozinho? Chegamos com tempo, encontrei nosso Mário de Andrade, Paschoal da Conceição, a quem não via há tempos, e também Daniel Augusto, com quem estou em débito. Ainda não li o livro dele. Nem o Sol nem a Morte, mas conversamos, mesmo que rapidamente, sobre o Paulo Coelho. Daniel filmou Não Pare na Pista, que tem aquela grande cena, o confronto com o torturador. Em sua biografia de Raul Seixas, Jotabê Medeiros faz revelações explosivas, tipo que o compositor teria dedurado seu parceiro durante a ditadura militar. É – nem todo mundo é Dilma, com moral para enfrentar o carrasco. Sartre! Havia feito a maior propaganda de Mãos Sujas e, para minha alegria, Emília e o Orlando gostaram muito. (Daniel Augusto também me fez sinal de polegar afirmativo.) É um dos meus espetáculos de 2019, como outro José Fernando, Navalha na Carne Negra, foi no ano passado. Gostei talvez ainda mais, e achei bacana que Emilia, uma cineasta, tenha viajado no dispositivo da captação da imagem em vídeo no palco. Emília, grande documentarista – Setenta, Tente Entender o Que Tento Dizer -, chamou seu montador, Vinicius Nascimento, que nos encontrou lá e no final acho que José Fernando gostará de saber que ambos deliraram com a excelência do material captado pelo garoto com a câmera. Entraram numa conversa de montar aquelas imagens – só o diálogo de Hugo e Hoederer daria para eles um curta magnífico. Fomos para o Rubi, mais vinho, Orlando e eu. Conversamos sobre a atualidade do texto, e da montagem. Cheguei em casa de madrugada, cansado, mas feliz. É sempre bom fazer novos amigos. E, por favor, vejam o Mão Sujas. A temporada termina no fim de semana que vem. E viva o Sesc, o sistema S. Como disse André Fischer na abertura do Mix Brasil, o Sesc, e Danilo Santos de Miranda, são o respiradouro da classe artística no Brasil de Bolsonaro, o que a pasta da Cultura e a Ancine deveriam ser, mas não são.

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