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Manuel e Rosa/viviam no sertão… Meu adeus a Yoná Magalhães

Luiz Carlos Merten

21 Outubro 2015 | 01h04

Passei o dia correndo. Fui ao dentista de manhã, bem cedo, emendei com filme (SOS Mulheres 2), entrevistei o Hector Babenco para a capa do Caderno 2 de amanhã, na verdade, de hoje – já passa da meia-noite -, redigi as matérias da Mostra. Depois, fui jantar. Não tive tempo de postar sobre os assuntos do dia – o trailer de Star Wars, o Despertar da Força e a morte de Yoná Magalhães, aos 80 anos. Yoná! Embora ela tenha feito teatro e cinema, seu reino foi a TV, e aí confesso que não consigo opinar. Sou capaz de me lembrar da Zélia de Saramandaia, a novela original, da Matilde de Roque Santeiro e da Tonha de Tieta, mas ela fez muito mais novelas e séries. Nunca a vi no teatro e, claro, no cinema, Yoná foi a Rosa de Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Manuel e Rosa viviam no sertão, informava a música, a trilha de Sérgio Ricardo. Sempre achei que, racionalmente falando, Yoná não tinha o physique du rôle para fazer aquela sertaneja, mas ela foi uma Rosa admirável. Formou uma dupla emblemática com Geraldo Del Rey. Não o conheci pessoalmente, mas Geraldo foi casado com Tânia Carvalho, a grande apresentadora gaúcha, cujo programas produzi na Rádio Gaúcha. A peemedebista Martha Suplicy pode até achar que foi pioneira na abordagem de questões de sexo na mídia nacional, na TV. No rádio, Tânia Carvalho e a nossa sexóloga Maria Aparecida Vieira Souto já tinham ido muito mais longe. Dava-lhes toda corda e enlouquecíamos, os três, o Professor (com maiúscula) Ruy Carlos Ostermann, que dirigia a Rádio Gaúcha, em Porto Alegre. É engraçado, mas, querendo falar de Yoná Magalhães, a Rosa, falei de Geraldo Del Rey, o Manuel (e o Bonitão de O Pagador de Promessas, o filme de Anselmo Duarte). As pessoas podem se lembrar dos muitos papeis de Yoná na televisão. Para mim, ela foi e será sempre Rosa. Um papel emblemático, num filme também emblemático. Rosa usa um chale negro, é o de que mais me lembro. Manuel a arrasta na escadaria de Monte Santo, quando entrega a alma ao santo, o Beato – é a escadaria de Odessa de Glauber. Mais tarde, ele corre na antecipação de que o mar vai virar sertão. Rosa cai, fica para trás. Pode-se ver naquilo uma metáfora. Yoná caiu/sumiu no e do cinema. Foi virar estrela em outra mídia. Para mim, pelo menos, Deus e o Diabo é a obra, o filme, que faz a diferença em sua carreiras, iniciada em 1955. Há 60 anos…