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Mandacaru quando fulora na seca…

Luiz Carlos Merten

19 de janeiro de 2019 | 10h19

Não posso ler meus posts, embora às vezes o faça, na certeza der encontrar erros de informação e, principalmente, digitação. Por exemplo, no post sobre o filme de Erasmo Carlos, Minha Fama de Mau, estava implícito que a gravação original de Devolva-me seria de Adriana Calcanhoto, o que não é verdade. Ao pesquisar na rede, buscava Leno e Lílian, mas encontrei também Erasmo e Wanderléa e até o rei Roberto. Corrigindo aqui e ali, tenho a impressão de haver reescrito o post. Isso volta e meia ocorre – maluquice! Tenho a impressão de que vou terminar invadindo a seara de Dikb Carneiro,o teatro infantil, mas lendo o Eduardo Nunomura na CartaCapital fiquei com vontade de ver Umbigo, a incursão de Gero Camilo e da Cia. Tertúlia de Acontecimentos pelo teatro infantil. Não sei se consigo hoje, porque marquei de almoçar com Lúcia e Fabiana e amanhã à tarde vou ao jornal, já que tenho matérias para segunda e terça. E ainda preciso ver Como Treinar Seu Dragão 3, rever Yara e aquele vale lindo no Líbano. Gostaria até de rever Mandacaru Vermelho no IMS, às 5 en punto de la tarde. Em 1960, Nelson Pereira dos Santos foi ao Nordeste disposto a adaptar o romance de Graciliano Ramos, Vidas Secas. Ao chegar, encontrou o sertão florido, porque havia chovido. Gonzagão, o xote das meninas – Mandacaru quando fulora na seca… Carlos Coimbra, no livro da Coleção Aplauso, me contou como a paisagem muda com a chuva no sertão, e como a floração é efêmera. Para não desperdiçar sua equipe, Nelson improvisou Mandacaru Vermelho. O mito de Vênus e Adonis, o amor impossível, uma caçada humana em ritmo de nordestern. O próprio Nelson protagoniza, com Sonia Pereira, e do elenco participa Miguel Torres, ator e roteirista que teve seu papel na explosão do Cinema Novo, mas morreu cedo, num acidente de carro. Hélio Silva era o diretor de fotografia e Nelson teve tempo de pensar, nos próximos anos, até voltar ao Nordeste para fazer, enfim, Vidas Secas num outro estilo de cinema, na dura e bela estética da fome. O curioso é que, lembrando assim, de cabeça, 1960 foi um ano importante do cinema brasileiro. Surgiram filmes tão ambiciosos e distintos/diferentes como Cidade Ameaçada, A Garganta do Diabo, A Grande Feira, A Morte Comanda o Cangaço, Mulheres e Milhões, A Primeira Missa. Foi o ano da pá de cal na chanchada, com a cena do espelho, Oscarito e Eva Todor, em Dois Ladrões. E também o da eclosão do ciclo baiano, embora só o Roberto Pires, A Grande Feira, tenha chegado imediatamente a Porto Alegre, onde vivia. Vi todos esses filmes no calor da hora, hoje pertencem à história. Mas tive de esperar anos para ver na Faculdade de Arquitetura, na UFRGS, Bahia de Todos os Santos e Barravento. Não digo que fosse tudo bom, mas, como alinhamento de tendências, 1960 foi rico. Divergente, convergente – na tela, o Brasil. Real, aflitivo, sonhado.