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Malick, Uma Vida Escondida

Luiz Carlos Merten

17 de fevereiro de 2020 | 14h23

LISBOA – Fomos ontem jantar na GourmetXP do El Corte Inglês. Depois, cinema. Estão em cartaz, no conjunto de salas, entre outros – Parasitas (no plural), 1917, J’Accuse e o Terrence Malick, Uma Vida Escondida. Fomos ao último. A história de um objetor austríaco de consciência, baseada no caso de um padre católico, na 2.ª Grande Guerra. Mais do que lutar na guerra, ele se recusa a prestar o juramento de fidelidade a Adolf Hitler. É perseguido, preso, julgado e condenado. A existência idílica do começo, nos Alpes, torna-se cada vez mais difícil para a mulher, que fica com o encargo de tocar a fazenda e cuidar das três filhas. Malick é um dos maiores mistérios do cinema, para mim. Lá atrás, fiquei muito impressionado com Badlands, Terra de Ninguém, mas depois ele foi me desconcertando cada vez mais. Admiro sua assinatura – o sopro lírico da montagem, a dissociação de imagem e som, a voiceover que é sua marca. ‘Franz, amado’, ‘Fani, vida minha’. Essa busca por um intimismo radical, que é ao mesmo tempo cósmico, porque Malick inscreve suas histórias no quadro da natureza. Penso sempre nessa relação entre o macro, e o micro, como uma herança kubrickiana – de 2001, Uma Odisseia no Espaço. Mas, enfim, ninguém entrevista Malick – só podemos deduzir. Ecos de Herman Melville, Bartleby, o Escrivão e sua frase emblemática – “Eu preferiria não fazer.” E claro, esse conceito filosófico no qual negação e afirmação convivem estreitamente, e que é outra marca do diretor. Gostei de ter visto Uma Vida Escondida. Lúcia achou as três horas excessivas. Voltamos ao Corte Inglês para almoçar. Dóri e ela ficaram lá. Eu voltei para casa. Aqui já passam das 5, em pleno inverno lisboeta. Estou adorando a experiêrncia de psssar fértioass num apê no exterior.

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