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Mais um grande (o maior?) papel para Irandhy Santos

Luiz Carlos Merten

05 de maio de 2014 | 17h22

Fomos ontem, os integrantes da alegre trupe de Gabriel Villela, jantar em comemoração ao fim da temporada de Réquiem para Antônio, no TucArena. Fomos à boa e velha Speranza, nossa cantina preferida, no Bixiga. Tomamos (muito) vinho, claro. Luiz Zanin Oricchio vai gostar de saber que Gabriel anda em êxtase desde que viu A Grande Beleza. Ele amou o filme de Paolo Sorrentino. Ficou louco pela personagem da religiosa, que faz treinamento de voz com nossa amiga (e colaboradora dele) Francesca Della Monica. Francesca gosta mais do Sorrentino que do filme, como eu. E ela, com conhecimento de causa, contesta a Roma de Sorrentino. Para ela, Federico Fellini (A Doce Vida) e Pier-Paolo Pasolini (Mamma Roma) captam melhor a alma da cidade e de seus habitantes. Sorrentino falsifica. Não é bem por isso que não gosto do filme. Gabriel observa que A Grande Beleza não é realista. Quer dizer, começa (neo?)realista, incorpora o mito e explode no barroco. E ele não para de falar da cena da santa com as cegonhas. Está chapado. Grande Gabriel! Ele tira um período sabático – tem emendado uma montagem na outra – e volta, acho que no começo do ano, com um projeto que o apaixona. Vai fazer A Tempestade, de Shakespeare. Temos falado sobre esse texto, que inspirou Prospero’s Books, A Última Tempestade, de Peter Greenaway. Gabriel surpreendeu-se – nunca tinha ouvido falar – quando lhe disse que, em 1956, Fred M. Wilcox transpôs A Tempestade para a ficção-científica e fez O Planeta Proibido, com Walter Pidgeon, Anne Francis e Leslie Nielsen, décadas antes de virar o desastrado tenente Frank Drebin de Corra Que a Polícia Vem aí. O sonho de Gabriel – será que estou sendo indiscreto? Ele gostaria de confiar o papel do bobo a Irandhyr Santos. Gabriel, Cláudio Fontana e Dib Carneiro viraram noveleiros de novo. Estão amando Meu Pedacinho de Chão, de Benedito Ruy Barbosa, que, pelo que ouço dizer, virou uma novela de diretor, e se trata de Luiz Fernando Carvalho, que criou um espetáculo audiovisual de rara (segundo eles) beleza. Mas o que os prende à novela é a atuação de Irandhyr, o homem das mil faces no cinema brasileiro. Em O Planeta Proibido, Leslie Nielsen chega em sua nave a Altair 4 e descobre que Walter Pidgeon sobreviveu à extinção de sua raça, os Krells, criando o império de um homem só e vivendo recluso com a filha e Robby the Robot, que substitui o bobo. O ponto de Wilcox é que os Krells, dotados de uma tecnologia superior, encontraram a forma de materializar seus pensamentos, e isso os levou à aniquilação. Faz tempo que não vejo O Planeta Proibido, mas sempre gostei muito do filme. Espero que Gabriel o consiga, e consiga também o Irandhyr. Agora que estou postando, dei-me conta de que, além das versões de Julie Taymor (com Helen Mirren) e Fred M. Wilcox, existe outra, livremente adaptada de Shakespeare. É a de Paul Mazursky, com John Cassavetes como arquiteto de Nova York que tenta fugir ao tédio de sua vida instalando-se numa ilha grega com a filha, Molly Ringwald. Gena Rowlands, Susan Sarandon, Vittorio Gassman e Raul Julia também estão no elenco.

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