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Mais é menos

Luiz Carlos Merten

26 de maio de 2013 | 13h37

CANNES – Quase 6 da tarde aqui na França. Daqui a pouco termina mais um Festival de Cannes. Mais um festival – menos um, como diria Mário Peixoto. Aproveitei o domingo para ver filmes que havia perdido ou rever filmes que me impressionaram muito. Heli, de Amat Escalante, A Vida de Adèle, de Abdellatif Kechiche, Un Chateau em Italie, de Valeria Bruni-Tedeschi. Gostei bastante do mexicano, com  sua pegada à Carlos Reygadas, que é o produtor; Kechiche é o meu prazer nada secreto; e Valeria… Na melhor das hipóteses, o filme delas seria simpático. Estou colocando no condicional, no passado imperfeito porque nem isso consegui achar, no quadro de um festival como Cannes. Quem leva a Palma? Uma prévia para vocês, o Palmarès de Le Fígaro. Tal Pai tal Filho, de Hirokazu Kore-eda, é o candidato do jornal, Adèle Axerchopoulos é a melhor atriz pelo filme de Kechichje e Michael Douglas o melhor ator (pelo Liberace de Steven Soderbergh, e nenhum prêmio me faz mais medo que este), Le Fígaro escolheu também o melhor e o pior filme de Um Certain Regard – As I Lay Dying, que James Franco adaptou de William Faulkner, o melhor, e Les Salauds, de Claire Denis, o pior. Kore-eda já ganhou uma menção do OCIC, Office Catholique International du Cinema. É um filme que me encanta e que tem a cara do presidente do júri, Steven Spielberg – família, relação pai/filho etc -, mas não creio que seja filme para ganhar a Palma. Um prêmio do júri estaria bem. Gosto demais do Kechiche e acho que um prêmio para Adèle, neste momento em que os franceses estão divididos em torno ao casamento gay, seria um gesto político importante de Steven, mas não creio que aquelas cenas de lesbianismo, no limite do explícito, sejam palatáveis para ele. O filme leva a Palma? Gostaria que isso ocorresse, mas tenho minhas dúvidas. Melhor atriz? Não tenho dúvida nenhuma dúvida de que tem de ser a Adèle de Kechiche. Minha outra opção seria a Emmanuelle Seigner de La Vênus a la Fourrure, mas preferiria ver Roman Polanski ganhar o prêmio de direção. Meu melhor ator é Toni Servillo, de La Grande Bellezza, de Paolo Sorrentino, que também seria uma opção para o prêmio especial do júri. Poderia ser, ainda, o prêmio de direção – Polanski e ele poderiam trocar de posto, porque são filmes esplendidamente dirigidos. O importante é que não fiquem de fora. Meu medo, como já disse, é que Michael Douglas leve o prêmio de interpretação pelo que no fundo me parece secundário – um straight fazendo uma ‘louca’, mas podem assinalar que o filho de Kirk, mesmo que não ganhe aqui, irá para o próximo Oscar, porque americano adora este tipo de tour de force. E, claro, tem o Alexander Payne, Nebraska, que é candidato a tudo. Palma de Ouro, melhor ator (Bruce Dern), melhor roteiro, melhor contribuição artística (a fotografia em preto e branco), melhor direção etc. Nebraska pode ganhar qualquer um e eu, pelo menos, não vou reclamar. Não costumo gostar de Payne – Sideways e Os Descendentes não me batem, mas desta vez ele acetou. Payne também poderia receber o prêmio para o cinéfilo do ano – ele tem a sessões de Cannes Classics e Um Certo Olhar, que vi. Ontem, assistiu a O Sol por Testemunha e aplaudiu o filme de René Clément de olho em Alain Delon. O suspense termina daqui a pouco. Mais uma Palma – menos uma Palma.

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