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Mais do mesmo?

Luiz Carlos Merten

30 de junho de 2015 | 09h30

Como toda segunda-feira, tivemos ontem a reunião de pauta do Caderno 2. Na mesa havia um Guia ‘deles’, da concorrência. Fui olhar o quadro de cotações. Um monte de zeros. Vingadores e Jurassic World são descartados como ‘mais do mesmo’. Muito interessante. Entendo o que os coleguinhas luminares estão querendo dizer, mas, além de descartar, com frases de efeitos igualmente idiotas, as mais interessantes experiências estéticas do ano (Casa Grande, Jauja, Casadentro etc), a verdade é que mais do mesmo não é critério de coisa nenhuma. Com muito mais coerência e propriedade se poderia aplicar a mesma definição a Yasujiro Ozu, a Eric Rohmer – que eu amo, mais até o primeiro. Ozu fez sempre o mesmo filme – com variações, é verdade. O mesmo elenco, a mesma posição da câmera, os mesmos conflitos no interior da família em mutação. Por uma questão de honestidade intelectual se poderia dizer, então, mais do mesmo que eu gosto  e, no caso, do que não gosto, sabe-se lá por que não gostam. Por falta de qualidade é que não é. Não sustentariam, os pobres, cinco minutos de conversa com Joss Whedon, com Colin Trevorrow, para não falar em Christopher Nolan.