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Mais chapado!

Luiz Carlos Merten

02 Fevereiro 2013 | 08h08

PARIS – Nao saio do cinema, ateh porque o tempo nao inspira muito a querer passear no Sena. Mas o problema, em Paris, eh sempre o que ver. Existem ofertas demais, de classicos como de novos filmes. Revi ontem Em Nome do Povo Italiano e devo ter deixado o publico do Le Champoh, no Quartier Latin, perplexo. Agora, vai ser o reverso do post anterior. Sempre gostei de Dino Risi, mas chorar, como chorei, no final de uma comedia italiana? O filme eh sobre a Italia do comeco dos anos 1970, mas parece sobre o Brasil do mensalaoh, centrado num juiz honesto que, lah pelas tantas, transige com a propria honestidade, e o faz no quadro de uma grande comemoracao pela vitoria da Italia sobre a Inglaterra, na Copa. Cansado de pegar peixes pequenos, o juiz centra fogo num tubaraoh e, quando lhe faltam as provas, sentindo que seu objetivo serah comprometido, ele fecha os olhos e destroi o documento que poderia virar a absolvicaoh do sujeito. E tudo isso no quadro de uma grande comemoracaoh – o povo italiano, em nome de quem ele age, naoh estah nem ai e faz festa pelo futebol. Grande Risi – o que ele fala sobre alienacaoh, manipulacaoh continua atual 40 anos depois. Ainda estava sob o impacto do filme, e das interpretacoles de Ugo Tognazzi e Vittorio Gassman, quando fui rever o Preminger – O Cardeal. Agora, sim, estou sem fala. aquilo naoh eh um filme. Eh um monumento. Eh verdade que hoje, 50 anos depois, para falar da Igreja seria preciso acrescentar o tema da pedofilia, principalmente na Igreja norte-americana, onde os casos levados aa Justica foram numerosos. Preminger fala de temas, digamos, mais `classicos` – um milagre, falso ou verdadeiro, aborto, racismo no Sul dos EUA, a tentacao do padre Tom Tryon pela sedutora Romy Schneider e a barbarie do nazismo, tudo isso no quadro de seu tema preferido, o embate entre o individuo e a instituicao, dominante em seus grandes filmes dos anos 1960, quando ele encontra na Panavision a tela que precisava para seus grandes afrescos. O filme conclui-se com um discurso do Cardeal Fermoyle (Tryon), que na verdade eh a afirmacaoh da democracia pelo diretor. Saih na Filmoteca do Quartier Latin passado da meia-noite, um frio do cao, cruzei com uma garota que devia estar indo para uma balada – de tomara que caia!, benza a Deus, os passarinhos jah tinham caido do galho e ela  nem  aih. Desci o Bouldevard Saint Martin e fui tomar uma sopa de peixe com vinho naquele restaurante da esquina do Sena. Curti minha solidaoh, vkiajei por todos os grandes filmes que tenho visto e revisto. E hoje tem mais emocao aa vista. Quero rever Band of Angels, de Raoul Walsh, que se chamou no Brasil Meu Pecado Foi Nascer, no qual o aventureiro Clark Gable se envolve com a escrava livre Yvonne De Carlo – e o filme passa em homenagem ao Quentin Tarantino de Django Livre, com o qual tem tudo a ver. onde mais um filme desses volta ao cartaz para complementar a visaoh de um filme atual? Quero ver tambem uma peca de teatro, Nouveau Roman, de Christophe Honoreh, muito elogiada por `Transfuge`. E naoh posso perder o Edward Hopper, no Grand Palais. Meu dia promete.