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Magia e ‘maravilhamento’ em Aquaman

Luiz Carlos Merten

12 Dezembro 2018 | 10h26

Fui ver ontem Aquaman, na cabine de imprensa, pela manhã. Havia ouvido coisas horríveis do filme e Arthur Curry, o Aquaman, de qualquer maneira, talvez tenha sido o (super?)herói que mais sofreu bullyng. O cara que fala com peixes! Presta-se ao ridículo. Mas eu confesso que – 1) gostei do trailer, aquele colorido e diversidade do fundo do mar, que me evocaram um Nemo mais exuberante e imaginativo; e 2) gosto demais do Jason Momoa, que parece brutamontes mas tem um sorriso de menino e uma pegada de homem, quando o assunto é mulher. Também havia lido, na Total Film, uma frase do diretor James Wan, dizendo que seu ‘goal’ era criar um clima de ‘magic and wonderment’. Gamei antes de ver, e gostei mais ainda, depois. Tali a mão de Zack Snyder, produtor executivo, com a mulher, Deborah. Zack foi quem escolheu Momoa e Amber Heard, que faz a princesa Mera, uma guerreira nos moldes da Wonder Woman, mas meu título hoje, na matéria do C2, é Homem Maravilha, justamente para destacar a magia e o maravilhamento que Wan quis (e, para mim, conseguiu) criar. Wan veio do terror, como Snyder (de Madrugada dos Mortos). O Reino do Fosso é habitado por criaturas assustadoras, mas do jeito que vi o filme Aquaman celebra o encontro de Jules Verne com Ray Harryhausen, com aquela ‘pata’, como dizem os franceses, do Snyder, que era o homem que comandava o projeto, no universo expandido da DC Comics, antes da tragédia que foi o suicídio de sua filha. Todo filme de Snyder, desde então, lida, não apenas com o tema da morte, mas com o retorno de entre os mortos. Vertigo? Superman, a versão com Henry Cavill, é sobre a relação do herói com o pai. Batman Vs Superman é sobre a mãe, E Aquaman é agora sobre a família. A mãe que se sacrifica (e morre?), o meio irmão enlouquecido, interpretado pelo ator fetiche de Wan em suas fantasias de terror, Patrick Wilson. E Nicole Kidman! Imagino que tenha sido divertido para ela fazer aquelas cenas de lutas, mas o que eu retive de Nicole em Aquaman é a humanidade. Essa mulher não precisa mais que de uma cena, ou duas, para encher a tela de calor humano, como seus cinco minutos na refeição de Lion – Uma Jornada para Casa, de Garth Davis, que vale sozinha, a cena, mais que os premiados de 2017 pela Academia, La La Land – Cantando Estações e Moonlight – Sob a Luz do Luar, e olhem que gosto dos dois. Mestre do terror (Jogos Mortais, Invocação do Mal), bom de ação (Velozes e Furiosos 7), James Wan abraça aqui o maravilhamento. A grande diferença entre os filmes da Marvel e da DC é que os primeiros são, tipicamente, filmes de super-heróis, e autores, porque são autores, como Zack Snyder e Christopher Nolan, na DC, constroem tragédias familiares para falar sobre ‘relações’. Aquaman é uma grande aventura e uma admirável fantasia. E quando Arthur/Aquaman comemora, no fim, como vai ser divertido ser rei (de Atlântida), fazendo a ponte entre terra e mar, você pode estar certo, sim, de que vai ser (glorioso). Só espero que faça sucesso para que tenhamos, para que eu tenha, direito a mais Aquaman.