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Lúcia!

Luiz Carlos Merten

23 de fevereiro de 2018 | 16h41

Minha filha querida faz hoje aniversário. Parabéns, Lúcia, luz da minha vida! Ainda há pouco, deitado para colocar gelo no joelho, peguei o Selection Officielle, que está na minha cabeceira. O livro em que Thierry Frémaux conta, em forma de diário, os bastidores da seleção de Cannes de 2016. No automático fui ao dia de hoje, há dois anos. Embora só fosse ser anunciada em abril, a seleção já estava em andamento, e acelerada. No dia 23, Thiérry estava em Buenos Aires, olhando candidatos da Argentina à competição da Palma de Ouro. Naquele dia, encontrou-se com o casal Pablo Trapero/Martina Guzmán. Trapero lhe mostrou um corte bruto de O Clã. Thiérry, na lata, lhe cortou o barato. Disse que o filme era bom, mas que ainda precisava ser trabalhado. Acrescentou que seria bom se Pablo trabalhasse com calma e tentasse outro festival, Veneza, para não ficar colado só a Caannes. Pablo, como ele conta, ficou aborrecido, mas seguiu o conselho. Foi premiado em Veneza e o filme fez 2 milhões de espectadores, um sucesso imenso que talvez não tivesse ocorrido se ele tivesse insistido e corrido para terminar o filme para Cannes. Eu aqui, parado – em termos, ontem participei do evento sobre Antes do Fim no CineSesc e a Simone ainda me pediu para apresentar a sessão extra de Bandido da Luz Vermelha com Helena Ignez -, e o mundo segue. Estou perdendo Berlim, que termina amanhã, e Thiérry deve estar na sua volta aso mundo, preparando a edição de Cannes de 2018. Preciso estar em condições até lá. Hoje, fazendo o destaque de TV de sábado – Personal Shopper -, me deu de procurar na internet o que anda fazendo Olivier Assayas, diretor do filme. Arrisco desde já que ele estará na próxima seleção oficial. Non Fiction, em fase de finalização, passa-se no meio editorial de Paris, Juliette Binoche e Guillaume Canet vivem a crise da meia-idade, agravada porque o mercado do impresso está mudando com as novas tecnologias, e-livros e etc. Além da qualidade – gosto muito de Assayas -, seu elenco garante uma montée des marches comme il faut, e Cannes, sem glamour, não dá. Aliás, Dieter Kosslick, o diretor da Berlinale, deu uma bela puxada de orelhas nos colegas de Cannes. Ao anunciar que o evento deste ano, mais que nunca, estaria sintonizado com os movimentos das mulheres, aproveitou para lermbrar que o tapete vermelho de Berlim sempre foi informal, e que nenhum homem sereia barrado por usar sapato salto, nenhuma mulher por usar sandália. Em Cannes, a tenue de soirée tem de ser completa e já houve o caso de gente barrada no tapis rouge. Pretinhos de classe é que não devem faltar no guarda-roupa de Mlle Binoche. Volto ao início do post. Lúcia! Que a vida te proporcione cada vez maiores descobertas e alegrias.

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