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Lone survivor

Luiz Carlos Merten

21 de janeiro de 2014 | 08h51

Que Oscar, que nada. As maiores bilheterias atuais de filmes nos EUA não estão ligadas às indicações para o prêmio da Academia. Depois de O Grande Herói, Lone Survivor, que liderou o ranking por semanas, a comédia Ride Along, de Tim Story, com o rapper Ice Cube, subiu ao pódio, ficando o filme de guerra de Peter Berg em segundo. Em terceiro, a animação The Nut Job, sobre as atribulações de um esquilo obrigado a viver na cidade grande. Confesso, acho que já escrevi isso, aqui, que tenho… Simpatia?… por Peter Berg. Como ator, há exatamente 20 anos, ele foi o jovem garanhão enganado pela femme fatale Linda Fiorentino no noir O Poder da Sedução, de John Dahl. O filme tem a cena mais inusitada que já vi numa produção de Hollywood. Linda busca um otário para levar adiante sua armação. Berg bebe uma cerveja no balcão do bar. Ela o enrola numa conversa sem pé nem cabeça e, de repente, pega no p… do cara. Vai além. Abre o zíper, enche a mão e depois cheira, para ver se é limpinho. Coisa de tramp, vagabunda de carteirinha. Linda deveria ter sido indicada para o Oscar daquele ano, mas depois disso, claro, não foi. Muita ousadia para o cinemão. Acompanhei depois os esforços de Peter Berg para se firmar como diretor. Fui um solitário defensor de Battleship – A Batalha dos Mares, baseado no game, e até hoje tenho imenso prazer em assistir ao filme, quando zapeio na TV e ele está passando. Battleship tem um lado hawksiano que me encanta. Taylor Kitsch é o rebelde sem causa, à sombra do irmão herói, que morreu na guerra. Ele se apaixona pela garota, filha do general.  Vira herói na guerra contra os ETs. Não é o herói solitário. Une-se ao grupo e todo o filme é uma longa e barulhenta preparação para o desfecho, quando Taylor, finalmente, chama a atenção do general e vai para um lanche com ele, para discutir a rendição do pai e o seu direito ao amor da bela Brooklyn Decker. É lindo. Lone Survivor, segundo o próprio diretor, é o anti-Battleship. É o reverso de uma simples aventura – a guerra como experiência agônica. Quando falei há pouco, em Los Angeles, com o produtor de Operação Sombra – Jack Ryan, ele me disse que os dois filmes recentes de que mais gostou foram 12 Anos de Escravidão e Lone Survivor. Disse que o segundo era o filme que gostaria de ter produzido. Vi diversas vezes o trailer e fiquei nos cascos. O Grande Herói estreia em 21 de fevereiro no Brasil. Se tudo der certo, estarei em Paris, até 23, no meu caminho de volta de Berlim. Torço para que seja bom.

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