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Lisandro Alonso!

Luiz Carlos Merten

24 de junho de 2015 | 01h26

Comecei meu dia assistindo a O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman, que vai voltar às salas em cópia restaurada, num projeto que também recupera outros filmes do grande diretor sueco. Serão seis títulos até o final do ano, um por mês – o próximo será Morangos Silvestres. Sempre tive uma admiração um pouco fria por O Sétimo Selo, que nunca foi um dos ‘meus’ Bergmans. Quero dizer que hoje o filme, finalmente, me apanhou. Amei. À tarde, na redação do Estado, falei por Skype com Lisandro Alonso. O tema – Jauja, que estreia na quinta (amanhã). Gosto demais do filme que vi em Cannes, no ano passado. Viggo Mortensen faz um mercenário dinamarquês que participa da campanha do deserto, da guerra contra os índios. O filme conta uma história e, de repente, os personagens entram numa gruta e muda tudo. Outra paisagem, outro tempo, outro mundo. Contei a Lisandro que o filme dele repetiu o impacto que tive, em Cannes, anos atrás, assistindo a Mal dos Trópicos, de Apichatpong Weerasethakul. Apesar das diferenças, os dois filmes propõem a mesma ruptura de tempo, espaço – e personagens. Lisandro me pediu licença, saiu do quadro e voltou carregando um quadro de… Mal dos Trópicos. Disse-me que é um de seus filmes preferidos, que mudou sua vida. A partir daí, a entrevista tomou outro rumo. Virou conversa de amigos. Encontros como esse me enchem a alma. Ser jornalista de cinema não só me permite como me obriga a me renovar, sempre. E eu gosto muito disso.