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Leslie Caron

Luiz Carlos Merten

06 de maio de 2013 | 10h20

Estou em casa, depois de tomar café na Trigonella, tentando – ainda – me adaptar ao que será minha nova rotina, agora que o horário de fechamento do Caderno 2 mudou para a noite. Dei uma zapeada na TV paga e dei de cara com Leslie Caron. Leslie quem? Foi, ou é, uma atriz francoamericana, nascida em Paris de mãe originária do Kansas. Escolhida por Vincente Minnelli, virou estrela de musicais, alguns dos maiores do pai de Liza – Sinfonia de Paris, Gigi, sem contar Mademoiselle, o episódio de Três Histórias de Amor.Leslie Caron fez também Lili, de Charles Walters. Dentuça, não particularmente bonita, ela tinha seu charme. E dançava, o que era fundamental. Leslie era meio andrógina – lembro-me de ter lido em alguma parte que era chamada de garçon manqué. Leslie Caron casou-se com o diretor inglês de teatro Peter Hall – ocasionalm,ente, ele fez filmes – e, na Inglaterra, interpretou seu papel dramático mais famoso, no filme The L Shaped Room, O Quarto em Forma de L, que no Brasil se chamou A Mulher Que Pecou, de Bryan Forbes. Quase me esquecia de que Leslie estava em O Homem Que Amava as Mulheres, de François Truffaut, e no Valentino, de Ken Russell. Via-a há pouco num episódio de Law & Order, Special Victims Unit, como uma mulher que, anos atrás – décadas -, foi estuprada pelo filho da amiga e que se isolou, virando uma idosa chique porém ressentida, amargurada. Uma mulher que deixou de amar e viu a vida passar. O cara voltou a estuprar, vai a julgamento, está a ponto de se safar e a personagem vive o dilema de quebrar o juramento que fez à mãe do então garoto, de que velaria por ele. Leslie – a personagem – não quer quebrar o juramento, mas aí a policial fala em francês com, ela, uma cena muito íntima, muito bonita, e a eterna Gigi expressa o dilaceramento interior com tanta economia que me convenceu, e emocionou. O episódio chama-se Recall e é de 2006. Leslie Caron tinha 75 anos (nasceu em 1931). Viajei nas lembranças – a suite de Gershwin An American in Paris, a Belle Époque do universo de Collette em Gigi. Sobre A Mulher Que Pecou – Leslie foi indicada para o Oscar -, vou falar depois. Não sei a quem vai interessar, mas quero me debruçar sobre minhas memórias de Bryan Forbes, para tentar responder à pergunta que faz Jean Tulard no Dicionário de Cinema? De onde vem a fama, particularmente grande na Inglaterra, de Forbes?

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