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Lembrancas

Luiz Carlos Merten

18 de novembro de 2013 | 15h17

LOS ANGELES – Aquí estou. Mais um dia em Los Angeles. Daqui a pouco visito outra ilha de edicaoh na Sony, as de The Equalizer, de Antoine Fucqua. Eh um director que tem seus momentos e eu gosto acima de tudo do seu épico arturiano, rthur, com Clive Owen e Keira Knightley, que foi, a propósito, fracasso de publico numa carreira marcada por grandes exitos. Sempre que estou zapeando na TV e o filme passa, ou vai entrar, paro tudo para ver, a espera da batalha no gelo, que Fucqua encenou, segundo me disse um dia, a partir do conselho que lhe deu Roman Polanski – o de que visse antes uma certa cena, outra batalha no gelo, em Alexandre Nevski, de Sergei M. Eisenstein. Dando um tempo nessa conversa de cinema, tenho acompanhado aqui, na TV e em jornais e revistas, a comemoracao, se eh que se pode dizer assim, do assassinato de John Kennedy. Tenho viajado em minhas lembrancas, porque naquele 23 de setembro de 1963 eu tinha 18 anos eu estava em casa e acompanhei pelo radio, na Guaiba, da entaoh poderosa Cia. Jornalistica Caldas Jr.,  a cobertura do evento. Vou voltar ao assunto, mas naoh agora. Prefiro escrever no Brasil, com a grafia acerta e todos os acentos a que um texto tem direito. Desde sábado quero postar uma coisa – naquele dia, a veterana Angela Lansbury ganhou capa no Calendar do The Los Angeles Times porque a noite seria (foi) homenageada com um Oscar honorario pela Academia de Hollywood. Em 1944, joven ainda, ela recebeu a primeira indicacao, como melhor coadjuvante, por Gaslight, A Meia Luz, de George Cukor, com Ingrid Bergman, que levou a estatueta de melhor atriz. Viajei me lembrando dos muitos filmes que vi com Angela Lansbury, e o ultimo foi aquela comedia dos pinguins com Jim Carrey. Agora, no cafeh da manhah – nao se esquecam de que estou seis horas atrás de voces -, li no LA Times a noticia da norte de Doris Lessing. Nao li muita coisa dela, O Carnet Dourado, alguma coisa mais, mas sempre tive uma relacao peculiar com Doris porque, físicamente, ela me lembrava muito minha maeh. Existem fotos dela em que sou capaz de jurar que eh a Dona Cecilia. Minha pobre maeh foi uma sofredora, e uma guerreira. Criou os filhos sozinha, apos a norte de meu pai, e aos 50 anos, por ai, teve um AVC que a deixou muda e paralitica. Tem coisas que a gente nao esquece – seu desespero por se comunicar, por se mexer. O olhar de bicho ferido, acuado. Ficou assim um par de anos, talvez um pouco mais. Havia copmecado a trabalhar no Colegio Israelita, em Porto. Saoh memorias muito dolorosas, e eh curioso como ativam e respaldam o cinema de que gosto. Naquela época, o comeco dos anos 1970, viamos muita TV, quando eu ficava com ela. Eu comecava a aparecer em programas de TV e sempre que me arrumava ela fazia um arremedo de som com a boca, para dizer que eu estava `pintosaoh`. E ria, vendo comedias. Naqueles momentos, esquecia-se de tudo. Acho que eh por isso que gosto tanto do desfecho de Gritos e Sussurros, de Ingmar Bergman. A vida vale a pena, nem que seja por um momento, como aquele paseio das tres irmas e da ama num jardim de sonho.

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