As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Lembranças do ‘matador’

Luiz Carlos Merten

30 de junho de 2015 | 09h10

Completaram-se ontem 15 anos das morte de Vittorio Gassman em 29 de junho de 2000, aos 77 anos. Eliana Souza, pauteira do Caderno 2, pediu-me um texto para o online. Comprei outro dia na banca do Conjunto Nacional as ‘francesas’ – Cahiers du Cinema, Première, Studio. Cahiers põe nas nuvens – vi pelo quadro de cotações – Jauja e Nicolas Azalbert intitula sua crítica ‘Le Prisonnier du Desert’, buscando, claro, uma aproximação com La Prisonnière du Desert, que é como Rastros de Ódio se chama na França. Decorridos 40 e tantos asnos de sua morte, em 1973 – Lisandro Alonso ainda não era nascido -, John Ford segue sendo um farol. Na abertura de Studio, Éric Libiot, diretor de redação, diz que duas coisas o enervam – falar de nouvelle vague e celebrações de aniversários. Mas ele abre uma exceção para celebrar O Homem do Rio, de Philippe de Broca, que foi execrado num momento de sua vida por Cahiers e foi celebrado na retrospectiva que a Cinemateca Francesa, dirigida por Serge Toubiana, ex-Cahiers, lhe dedicou no primeiro semestre que se encerra hoje. O Homem do Rio, Philippe de Broca, Jean-Paul Belmondo, Françoise Dorléac, o Brasil sonhado, de cartão postal – tive imenso prazer de rever o filme no recente Festival Varilux. Volto ao começo. Vittorio Gassman. Não me enervo com esses aniversários e até tenho prazer em, enumerando filmes e papeis, viajar nas lembranças. Vittorio Gassman integrou, com Paolo Stoppa e Rina Morelli, a célebre companhia teatral de Luchino Visconti, mas, enquanto os outros dois fizeram a travessia para o cinema com o genial Luchino, Gassman permaneceu no palco. Seus grandes papeis lhe foram oferecidos por Mario Monicelli, Dino Risi, Ettore Scola, reis da (tragi)comédia italiana. Grande Gassman. Era chamado de ‘mattatore’, por causa de um programa que fez na nascente TV da Itália, nos anos 1950 (e também pelo filme homônimo de Risi, em 1960), mas eu ouso dizer que ele era matador como Don Juan. Eliana procurou algumas fotos e me mostrou uma de Gassman, no auge. Era um deus. Não admira que tenha sido chamado para filmar em Hollywood, onde foi galã – Rapsódia, com a jovem Elizabeth Taylor. Um cara daqueles deve ter feito a fila andar, com certeza. E os papeis – Brancaleone, aquele que sabia viver, Il Gaucho, o enamorado esquerdista de Nós Que nos Amávamos tanto. Gassman dividia as marquises dos cinemas e, às vezes, o elenco dos filmes com Ugo Tognazzi, Nino Manfredi, Alberto Sordi. Todos grandes, todos mortos. Adriana del Re, que sub-edita o Caderno 2, me disse que está estourando uma retrospectiva de Tognazzi. Onde? Não sei, mas com certeza valerá matéria e alguma outra celebração que enervaria Éric Libiot.