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Latinidade

Luiz Carlos Merten

04 Setembro 2013 | 09h16

Jotabê Medeiros e eu somos finalistas, de novo, ao prêmio Comunique-se, na categoria de jornalismo cultural, mas, como de hábito, vamos perder para Artur Xexéo. Eu preferia que o Jota ganhasse, mas, também como de hábito, não fazemos campanha, e acho que é a primeira vez que posto que sou finalista para o prêmio. Mas é para fazer justiça a César. Vou usar Xexéo como fonte. Na coluna dele de hoje, no Segundo Caderno do Globo, ele cita que o Festival de Valdívia, no Chile, em comemoração aos seus 20 anos, encomendou a diretores de nove festivais uma lista dos dez melhores filmes latinos, realizados no período. Deu Whiskey, dos uruguaios Pablo Stoll e Juan Pablo Rebella, seguido de Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas, em segundo,  e Santiago, o documentário de João Moreira Salles, em terceiro. Nunca tive dúvidas da excelência de Santiago, que considero o melhor documentário brasileiro de todos os tempos e é um dos cabeças da minha lista de 50 melhores filmes feitos no País, que estabeleci para uma enquete de Rubens Ewald Filho na HBO. A Argentina emplacou quatro filmes, incluindo o quarto, quinto e sexto da lista, que foram La Libertad, de Lisandro Alonso, La Ciérnaga, de Lucrecia Martel, e Histórias Extraordinárias, de Mariano Llinás. O colombiano Un Tigre de Papel, de Luiz Ospina, foi sétimo, Hamaca Paraguaya, de Paz Encina, o oitavo – bem tentei que o filme ganhasse a Caméra d’Or, quando fui jurado, mas aquelas bestas, sorry, dos irmãos Dardenne, nem quiseram ouvir falar -, outro argentino, Silvia Prieto, de Martin Rejtman – que não conheço -, em nono e o décimo, o chileno Aqui se Construye, de Ignacio Agüero. Xexéo cita a minúscula participação do Brasil na lista – um filme! – para destacar o que considera a irrelevância da produção brasileira atual. Não vou polemizar. Uma lista é só uma listas. Outros nove ou dez votantes escolheriam outros títulos, como o próprio Xexéo sugere que Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, deveria ser o brasileiro da relação. Gosto de Whiskey, mas não creio que seja o melhor filme latino dos últimos 20 anos, mas me agrada que Paz Encina e Lucrecia Martel façam parte do seleto grupo, e eu ainda colocaria a paraguaia antes da argentina na lista. O mais curioso para mim é que, conhecendo razoavelmente o cinema argentino, como conheço, desconhecia  filme de Rejtman. Quem é, ou o que é Silvia Prieto? O mais estranho é que fiz uma associação maluca e não paro de pensar em Claire Dolan, o belo filme de Lodge Kerrigan com Katrin Cartlidge. Sei lá o que é Silvia Prieto, mas Claire Dolan faz o rigoroso retrato de uma prostituta que se rebela contra seu gigolô. Lodge Kerrigan filma com rigor bressoniano, e Katrin, que morreu cedo, é esplendorosa. Mas Silvia Prieto..? Alguma luz, por favor.