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L’amico Olmi

Luiz Carlos Merten

04 Setembro 2013 | 09h33

Tive ontem um momento mágico. O Instituto Moreira Salles está lançando em DVD Il Posto, de Ermanno Olmi, que ganhou o prêmio da crítica na Mostra d”Arte Cinematografica de Venezia, em 1961. Era um filme mítico para mim. Sempre ouvi falar de Il Posto, desde que, jovem. devorarava os jornais norte-americanos que meu irmão, funcionário da Varig, levava para casa. Il Posto, I Fidanzati. Olmi era um dos favoritos no circuito de arte dos EUA, com o Satyajit Ray da vez. Finalmente, assisti a Il Posto em Cannes, acho que no ano passado, em Cannes Classics. O filme restaurado foi uma descoberta. Um contadino tenta arranjar um emprego – il posto – em Milão. Não acontece muita coisa e quando, enfim, ele é efetivado, senta-se num canto, na sua mesa distante, e a vitória é também uma derrota, porque a sensação é de que vai levar uma vida medíocre. Conversei ontem com Olmi pelo telefone. A entrevista foi mediada pelo pessoal do IMS. Obrigado – conversei durante quase uma hora com o velhinho (Olmi está com 82 anos) , falamos do seu cinema exigente, do filme e do seu casamento com a atriz principal, Loredana Detto. Ela faz a cittadina por quem o contadino se apaixona, mas são dois mundos diversos. Na vida, Loredana tinha 15 anos e Olmi, 30.  Casaram-se, constituíram família. Foi uma conversa tão agradável que Olmi, no final, me pediu licença para me chamar de ‘amico Luigi’ e colocou sua casa a meu dispor, quando for à Itália. Olmi, o diretor de A Árvore dos Tamancos, de Longa Vida à Senhora e A Lenda do Santo Beberrão. Tenho um carinho especial por Il Secreto del Bosco Vecchio, quando ainda ia a Veneza, acho que em 1992, ou 93. O amigo Olmi. Não abro mão desses momentos por nada do mundo. Mais que crítico, sou jornalista de cinema. E esses encontros são essenciais.