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La La Land e Manchester, o mesmo filme?

Luiz Carlos Merten

22 Janeiro 2017 | 00h19

Vou começar o post de forma meio torta. Espero que não me custe a amizade de Rubens Ewald, a quem prezo muito. Meu editor, Ubiratan Brasil, me disse que Rubinho bateu forte em Casey Affleck. Na estreia de Manchester à Beira-Mar, comentando suas chances no Oscar, disse que o irmão de Ben é um engodo, pelo menos foi o que me disse o Bira. Discordo. Bem antes que Casey virasse unanimidade no Oscar de 2017 – que ainda nem foi anunciado -, eu já tinha colocado o cara no meu panteão. Achei-o bom demais em O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, de Andrew Dominik, e O Assassino em Mim, de Michael Winterbottom, e mesmo assim fiquei chapado pelo Casey em Manchester à Beira-Mar, de Kenneth Lonergan. Sei que vão me crucificar, mas é meu blog e tenho de ser honesto comigo mesmo, com mais ninguém. Enfim um Oscar de ator sem os tortinhos de sempre. Vocês sabem que nunca tive muita paciência com Eddie Redmayne, que, esse sim, achava um engodo até que ele me surpreendesse em Animais Fantásticos. Dava-lhe um Oscar pela fantasia de David Yates, um de coadjuvante por Os Miseráveis, mas neca por A Teoria de Tudo nem por A Garota Dinamarquesa (que ele não ganhou, de qualquer maneira). Neste ano, estou convencido de que estarão no Oscar Casey Affleck, por Manchester, Ryan Gosling, por La La Land, e Andrew Garfield, por Até o Último Homem. Os outros dois finalistas, mas não necessariamente para compensar a ausência de negros no ano passado, poderão ser (serão?) Denzel Wahington, por Fences, que ele também dirigiu, e o protagonista de Moonlight, de Barry Jenkins, cujo nome ainda não gravei, mas sobre o qual ouço maravilhas. Não sei, estou com preguiça de pesquisar, se Casey é um ator do ‘método’, mas ele possui a tensão física que atravessa as interpretações de astros míticos como Marlon Brando, James Dean e Paul Newmanm, e ainda possui uma característica que é só dele – a voz. Jesus! A voz de Casey Affleck! Vale uma música, como os olhos de Bette Davis. Queria muito que Ryan Gosling ganhasse (City of lights/Are you shining just for me…), mas Casey é tão pungente, tão visceral que não tenho outra escolha senão torcer por ele. E agora o choque (mas são meus olhos). Fui ver Manchester na tarde deste sábado, 21. Sessão das 14 h, sala cheia. É o efeito Oscar. Antes, passou o trailer de Até o Último Homem, de Mel Gibson, que também vai para o Oscar, e não apenas de ator. Aposto (torço?) que fica entre os nove indicados para melhor filme. Grande Mel Gibson. E, agora, preparem-se – com todas as diferenças de gênero, estilo, história etc, La La Land, o musical de Damien Chazelle, e Manchester à Beira-Mar, o drama de Ken Lonergan – diretor de Conta Comigo, com Laura Linney e Mark Ruffalo -, me pareceram muito próximos, o mesmíssimo filme. Ambos possuem uma tristeza acachapante. Para o sobrinho, quase como quem se desculpa, Casey diz que não consegue superar – o quê, vocês vão saber quando virem o filme. Aparentemente, mas só aparentemente, Ryan supera – quem viu, sabe o quê – em La La Land, mas sua tristeza é a mesma que manifesta a ex-mulher de Casey. ‘Meu coração está partido.’ Ambos, by the way, são filmes sobre a superioridade das mulheres em seguir adiante, coisa de que nunca duvidei nem um pouco e que deve ser alguma compensação atávica pelo muito que sofreram, historicamente, pela situação de inferioridade social em relação aos homens. Há tempos o Oscar não apostava em histórias tão humanas, de gente como a gente. Digo isso porque estou dando como favas contadas que La La Land e Manchester vão para as cabeças do prêmio da Academia, e um deles vai ganhar. Meu coração também está partido. Queria tanto que Ryan ganhasse, mas Casey…