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Kristen Stewart, Warren Oates e o que FilmComment nos revela do cinema e do mundo

Luiz Carlos Merten

01 Agosto 2016 | 09h39

Falei em livro e revistas que comprei em Nova York. FilmComment, a edição de julho/agosto da revista da Film Society do Lincoln Center; a Sight and Sound de julho, cuja capa é Cannes, com avaliação do festival. FilmComment estampa na capa The Age of Kristen Stewart e traz uma análise muito interessante da evolução da carreira de ‘Bella’. Em Cannes, a brasileirada ficou à beiras de um ataque de nervos por causa de Kristen em Personal Shoppher. Achavam que ela não tinha nada a ver com o perfil de uma garota que compra (e experimenta) roupa para uma ‘celebridade’. Posso gostar menos de Personal Shopper que de outros filmes de Olivier Assayas, mas não me surpreeendi nem um pouco que ele tenha recebido o prêmio de mise-en-scène. O filme é muito bem dirigido. Tem a mobilidade própria do autor, a elegância dos cortes e movimentos de câmera. E Kristen é um assombro. representa de forma minimalista, veste-se displicente para resplandecer nas roupas de ‘estrela’. Em Cannes, ela também estava no Woody Allen, Café Society, e também começa com um figurino casual, uma espécie de up to date de Diane Keaton em Annie Hall, para no final vestir-se de acordo com a mulher de um poderoso agente de Hollywood. O texto de Nick Davis celebra ‘the casual complexity and low-key intensity de Kristen Stewart’. Hiding in plain sight. Kristen é ótima em manter-se secreta sob os holofotes. Avanço umas páginas e Beyond these Gates recupera atores negros cuja arte foi minimizada pelo racismo da sociedade dos EUA na era silenciosa. Lorenzo Tucker, o Valentino negro, e Evelyn Preer, ambos tendo trabalhado com Oscar Micheaux, em filmes que integraram a retrospectiva do diretor no CCBB, não faz muito tempo. Mais umas páginas e a análise é outra. Out of Work, Warren Oates e a tradição dos atores que vieram da classe operária. Oates morreu novo, do coração, aos 53 anos. Teve papeis destacados em filmes importantes de Sam Peckinpah, Pistoleiros do Entardecer e The Wild Bunch/Meu Ódio Será Sua Heranças, estrelou Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia. The blue-collar actor. A análise começa com um cult independente por volta de 1960, Propriedade Privada, de Leslie Stevens, o que me trouxe à memória outras obras indies da época – o Studs Lonigan/Uma Vida em Pecado, de Irving Lerner, e Rajadas de Paixão/A Cold Wind in August, de Alexander Singer, com Lola Albright. Warren Oates e o amigo espiam a piscina do vizinho, onde Kate Manx, mulher do diretor, passeia de maiô provocante. A linhagem do ator operário prossegue até Adam Driver e Channing Tatum, e a análise que Nick Pinkerton faz de Magic Mike, como reinvenção da própria experiências do ator como stripper, é tão bonita que quase me fez gostar do filme de Steven Soderbergh. E as análises prosseguem. Shooting the Messenger. Eric Hynes descobre que o melhor cinema de não ficção da atualidade, nos EUA, é cria do ‘new journalism’ dos anos 1960 e 70. Tudo muito rico e interessante. Ainda existe esperança, no impresso, na era das galerias de fotos.