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Kim Ki-duk

Luiz Carlos Merten

09 de setembro de 2012 | 13h11

Kim Ki-duk ou Sylvester Stallone? Kim Ki-duk. Confesso que nem havia olhado a seleção de Veneza e que também não acompanhei a cobertura do festival, que terminou ontem. Mas procurei saber quem tinha ganhado. Foi o coreano Kim Ki-duk, com seu novo filme chamado ‘Pietà’. É curioso, mas em Minas, pouco antes de começar a palestra sobre Charles Chaplin, conversava com o Rafael, que organizou a retrospectiva no Palácio das Artes. Sucesso total, com mais de dez mil participantes numa sala pequena, com cerca de 100 lugares. Falávamos sobre cinema popular e de autor – Chaplin tinha tudo a ver com o assunto -, sobre um cinema autoral que, hoje em dia, virou tão clichê, à sua forma, como o outro, comercial, e o Rafael citou Kim Ki-duk como exemplo de um autor ‘festivalier’. Deixei passar, mas não estava sendo honesto com o diretor coreano nem comigo mesmo. Pois eu gosto do Kim Ki-duk, embora goste mais de alguns filmes em particular – ‘Primavera, Verão, Outono, Inverno e Primavera’, ‘Samaritan Girl’, ‘O Arco’ e o meu preferido, ‘Casa Vazia’, que já havia concorrido, mas não me lembro se também foi premiado em Veneza. Não gostei particularmente do último filme do autor a que havia assistido. Ele sempre fez de dois a três filmes por ano, mas de repente houve um hiato em sua carreira e eu me perguntava onde estava Kim Ki-duk? Entre 2008 e 2011, nada e aí ele surgiu com um documentário (docudrama?) ‘Arirang’, sobre um diretor em crise que chega al borde do suicídio. Talvez Kim Ki-duk tenha tido de passar por aquela experiência para chegar a ‘Pietà’, que, imagino, deve ter a ver com a obra de Michelangelo, mas ‘Arirang’ me deixou meio perplexo quando o vi em Cannes, no ano passado. Pode ser que venha a gostar muito de ‘Pietà’, mas confesso que, em princípio, ponho mais fé em ‘The Master’, que valeu a Paul Thomas Anderson o Leão de Prata de direção. Vi o trailer do filme em Los Angeles, durante a viagem para entrevistar Clint Eastwood, e fiquei siderado com o clima que, de alguma forma, me fez lembrar ‘A Árvore da Vida’, e eu não sou tiete do Terrence Malick. Aliás, o Malick não concorria em Veneza? Não ganhou nada? ‘The Master’, com Philip Seymour Hoffman e Joaquin Phoenix, trata da relação entre mestre e discípulo, com base na figura do criador de uma seita, nos anos 1950. O discípulo passa por uma crise de fé começa a questionar o mestre – parte disso parece que já foi tratado pelo próprio Paul Thomas Anderson em “There Will Be Blood’. Digo ‘parece’  porque não vi o novo filme e não sei de que forma ele usa o material. É um diretor que me agrada imensamente, curiosdamente menos em ‘Sangue Negro’ e mais, muito mais, em ‘Boogie Nights’ e ‘Magnólia’, em que Tom Cruise está soberbo (já numa espécie de guru). Estou nos cascos para ver os vencedores de Veneza. Estarão no Festival do Rio, que começa dia 27, ou 28? Na Mostra, em outubro? Espero que sim.

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