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Kate com K

Luiz Carlos Merten

25 de fevereiro de 2014 | 08h54

Quem está faltando no Oscar? A outra Kate, com K. Kate Winslet. Vi ontem Refém da Paixão e, na saída, o João – da Paramount – nos deus o livro de Joyce Maynard em que se baseia o filme de Jason Reitman. Joyce virou sensação quando publicou outro livro – autobiográfico – sobre sua relação com o recluso escritor J.D. Salinger. Logo de cara – o novo livro chama-se Labor Day -, ela agradece aos filhos, que a fizeram entender como se sentem garotos de 13 anos. A história é contada do ângulo de um garoto cuja mãe vive em depressão permanente. De início, somos levados a crer que o marido a trocou pela secretária, mas os motivos são muito mais profundos. O pai do garoto, o ex-marido, pode ser um babaca, sob múltiplos aspectos, mas não é um canalha. E, no final, quando ele conta ao filho como era a mãe dele e o que o assustava nela, confesso que ,me emocionei muitíssimo. A vida de mãe e filho vai mudar num único fim de semana de feriadão. Labor Day, Dia do Trabalho. Num outro Labor Day, o estranho William Holden irrompeu na vida de Kim Novak em…, o primeiro Joshua Logan. O estranho é agora um fugitivo da cadeia interpretado por Josh Brolin. Se fosse um thriller, o cara manteria mãe e filho sob terror. Mas ele é carente como ambos. Encontra a família que perdeu no passado. Substitui o marido e o pai. Não sei quanto, ou se, as pessoas vão gostar de Refém da Paixão. Eu gostei muitíssimo , e gostaria que o filme estivesse sem do lançado com o título brasileiro do livro de Joyce Maynard, que a Rocco batizou como Fim de Verão. Tudo se passa nessa época. O fim de uma verão particularmente quente em New Hampshire, mas o fogo é interno. Uma das grandes cenas do cinema, para mim, é aquela de Verão Violento, de Valerio Zurlini, em que Eleonora Rossi Drago e Jean-Louis Trintignant dançam Temptation. Há uma guerra lá fora, mas eles estão em outro tempo, outro espaço. Amei Joel Kinnaman e Abbie Kornish dançando ao som de Sinatra no RoboCop do Padilha. E amei Kate e Josh na rumba de Refém da Paixão. Não devo entender nada de Oscar. Faço meus prognósticos e até acerto na premiação da Academia, mas sempre existem coisas que me escapam, que não entendo. Jason Reitman tem sido indicado sistematicamente por seus filmes. No melhor deles – Refém -, a Academia o ignorou. Pior – ignorou Kate. Desde que vi Blue Jasmine em Nova York, há não sei quantos meses – talvez tenha sido na junket de Capitão Phillips, teria de conferir -, nunca tive dúvidas de que a Cate com C, Blanchet, seria indicada e até iria ganhar, pelo Woody Allen. Ela é maravilhosa, claro. Mas agora penso que se a Kate com K tivesse sido indicada, provavelmente estaria vacilando e até torcendo por ela. Cate é sofisticada e uma diva. Mesmo quando tem seu breakdown, permanece glacial. Kate é mais ‘colona’. Uma mulher mais comum, de formas mais arredondadas. Mas ela tem uma intensidade, uma sensualidade que raras atrizes – de Hollywood e alhures – possuem. Kate com K.

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