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Jurassic World e o peso dos coturnos de Bryce Dallas

Luiz Carlos Merten

06 Junho 2018 | 09h02

Quando esteve em São Paulo para promover (antecipar?) o lançamento de Jurassic World – Fallen Kingdom, J. A. Bayona teve de responder à pergunta inevitável. Bryce Dallas Howard voltaria aos saltos altos? Parece irrelevante, nessa fase de empoderamento feminino, mas é essencial. A aventura, segundo Howard Hawks. A mulher aumenta os perigos dos homens. A primeira imagem de Bryce Dallas no novo filme segue o movimento vertical até mostrar que ela está, sim, de salto alto. Depois, a heroína troca o sapato e veste o coturno. Temos aqui uma mudança substancial no rumo da aventura. O coturno não é só mais pesado. Vulgar? Grosseiro? O coturno vira metáfora. Fui ontem cheio de expectativa à cabine de Jurassic World (2). Havia adorado o 1, de Colin Trevorrow, e a dupla formada por Chris Pratt e a filha de Ron Howard, no meu imaginário, tem tudo a ver com o impacto visual de George Peppard e Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo. A solidez (dele), a delicadeza (dela). Mas o filme não é bom, ou pelo menos tão bom. O primeiro, na retomada da saga dos dinos, era muito melhor. Bayona é um diretor interessante, com o pé no terror. Pressionada a salvar Blue, a jovem cientista contamina o sangue da velocirraptor. De novo a metáfora. A aventura vira horror. A clonagem atinge os humanos. Existem aspectos da trama que favorecem uma discussão adulta, mas, no limite, o que está faltando? Jurassic World fundamenta-se sobre o conceito de novas famílias. Bryce Dallas, Chris Pratt e os sobrinhos dela no 1. Chris, Bryce e a herdeira do império Hammond, no 2. Decepcionei-me, tenho de admitir. Ao contrário de Solo – Uma História Star Wars, que me produziu uma euforia, aqui não rolou. Claro que só olhar Bryce e Chris Pratt já enche os olhos. E a questão da sobrevivência, nessa Semana de Meio Ambiente, é importante de ser debatida. A nova arca que se afasta da ilha e o majestoso dino condenado à morte, envolvido que está pela fumaça tóxica do vulcão, aquilo me tocou – muito. Mas, de resto, faltou majestade à aventura.Os coturnos pesaram.