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Juliette, live!

Luiz Carlos Merten

30 de novembro de 2019 | 09h41

NITERÓI – Cá estou, cheguei ontem para a festa de 30 anos da Imovision e fico o fim de semana (hoje e amanhã, no Rio). Entrevistei o diretor Cédric Kahn, de Joyeux Anniversaire, e fiz uma live com Juliette Binoche, que foi algo complicada por causa de problemas técnicos no início. Depois, quando deu certo, estávamos ambos descontraídos – Agora, vai? – e terminamos rindo bastante. Espero que tenha sido bom. De qualquer maneira, Juliette aprofundou o tema da tatataravó, que havia abordado na entrevista para o Estado. Esclareceu que essa antepassada brasileira era escrava e, portanto, seu sangue brasileiro é negro. Disse, e me emocionou, que gostaria de saber se ainda existem Binoches no Brasil, que seriam negros e a quem queria pedir perdão pelo tratamento que tiveram. Esse antepassado (branco) serviu-se da escrava, como faziam os senhores. Um leitor do Estado havia enviado uma pergunta sobre o passado colaboracionista dos franceses – o governo de Vichy -, querendo saber o que ela pensava disso e até comparando com o eleitorado de direita que apoia Marina Le Pen. Ela falou coisas bem sérias – procurem o live – sobre como os franceses lidam mal com seu passado, e não apenas o colaboracionismo. Citou Napoleão, endeusado na historiografia oficial e que fez coisas terríveis na Espanha, no Egito. Lembrou a violência, a tortura na Argélia e na África negra, durante o colonialismo. E também falou de música, poesia, do seu projeto de dirigir. Foi, para mim, bem bacana.