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Juliette Gréco, e até nome de rosa ela foi

Luiz Carlos Merten

07 de outubro de 2020 | 00h09

Para dizer a verdade, Doris, minha ex e mãe da Lúcia, havia me informado da morte de Juliette Gréco, mas com tanta coisa para fazer fui deixando o blog de lado e a chamada musa do existencialismo, também. Juliette Gréco! Jean-Paul Sarte dizia que ela tinha mil poemas na voz. Frequentando o meio boêmio de Saint Germain des Près, ela se tornou conhecida como cantora. Jacques Prévert, Raymond Queneau e Jean Cocteau dedicaram-lhe poemas transformados em canções e o último também lhe deu um papel em Orfeu. Consta que era a filha indesejada de uma mãe que a odiava. Uniu-as, por um tempo, a atividade na resistência, durante a 2ª Guerra. Foram presas e torturadas pelos nazistas. A mãe e a irmã foram enviadas para um campo de extermínio, mas sobreviveram. Depois da guerra, a mãe mandou-se para a Indochina, abandonando as filhas. Juliette criou fama cantando nas caves enfumaçadas. Tinha uma personalidade forte. Casou-se três vezes, a segunda com Michel Piccoli, mas isso não a impediu de levar uma vida bem animada. Foi amante do corredor Jean-Pierre Wimille, mas ele já era casado e ela aceitou ser a outra até a morte dele num acidente. Manteve uma ligação com Miles Davis de 1949 a 57, sendo a razão das numerosas temporadas dele na França. Simultaneamente, teve um affair com Quincy Jones, o que provocou a briga dos dois músicos. Também foi amante de Albert Camus, mantendo, ao mesmo tempo, apimentadas relações com o cantor Sacha Distel, que a trocou por Brigitte Bardot, e com o produtor Darryl Zanuck. Todo poderoso na Fox, Zanuck impulsionou a carreira de atriz de Juliette em filmes do estúdio, como E Agora Brilha o Sol, de Henry King, e Tragédia num Espelho e A Grande Cartada, de Richard Fleischer, os dois últimos de 1960/61. Fleischer creditava à paixão de Zanuck o fato de haver passado cinco maravilhosos anos vivendo com a família na Europa, mas era o primeiro a admitir que são, talvez, seus piores filmes. A Grande Cartada foi feito para Juliette, e o problema é que Zanuck, insatisfeito com o roteiro, o reescrevia no set. Não deu certo, e os dois, o produtor e o diretor, tiveram brigas memoráveis. Juliette era amiga da escritora Françoise Sagan, que a salvou quando tentou se matar, mas não foi por pressão da autora que Otto Preminger fez dela a cantora na cena da boate em Bom-Dia, Tristeza. Em 1958, Juliette estava no auge. Em 1999, mais de 40 anos depois, seguia cultuada – e Georges Delbard criou uma rosa à qual deu seu nome. Juliette Gréco morreu em Ramatuelle, no dia 23 de setembro. Tinha 93 anos.

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