As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Jules, Jim e aquela trilha de Georges Delerue

Luiz Carlos Merten

08 de julho de 2017 | 16h26

Embora não seja ‘truffautiano’ de carteirinha, gosto, pontualmente, de alguns filmes de François Truffaut – Jules e Jim/Uma Mulher para Dois, e O Garoto Selvagem. Há, no Belas Artes, uma programação especial, Colônia de Férias, que vai resgatar, neste mês de julho, a obra de diretores importantes. Começou com Truffaut e, ao longo da semana, até a próxima quinta, estão sendo reprisados sete de seus filmes. Depois, virão Wong Kar-wai, Ingmar Bergman e uma semana de clássicos. Estou querendo ver, daqui a pouco – as sessões são diárias, às 18h30 -, Jules et Jim. E, na terça ou quarta, preciso conferir, O Último Metrô. Sempre fui mais chabroliano e, no biênio 1969/70, Claude Chabrol fez três filmes seguidos que o colocam no panteão dos maiores – A Mulher Infiel, A Besta Deve Morrer e O Açougueiro. Mas confesso que a politesse de Uma Mulher para Dois me encanta. Dois amigos e a terna e cruel Catherine, Jeanne Moreau, ao se colocar entre Oskar Werner e Henri Serre, vai questionar tudo. É, no limite, uma filme sobre a serenidade da morte, face ao turbilhão da vida. Um filme sobre as coisas mortas que permanecem na lembrança e as coisas vivas que vão desaparecendo, antes mesmo de sua destruição. E quero rever porque, malgrado Michel Legrand e suas trilhas para Jacques Demy, tenho, para mim, que a partitura de Georges Delerue é uma das mais belas (a mais?) do cinema francês. Sou assombrado por aquela trilha, e com ela vêm sempre as imagens.

Tendências: