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Jovem aos 50, Guarda-Chuvas do Amor, La La Land, Amor em Sampa… Tudo se encaixa!

Luiz Carlos Merten

03 Abril 2017 | 09h04

Salvei ontem o texto anterior e saí correndo. Hoje, ele ainda estava na tela. reli um pedaço, o que detesto fazer. Se eu relesse tudo o que escrevo, não iria adsiante. Minha vida, minha atividade jornalística, seriam um eterno work in progress, porque viveria reescrevendo. Empaquei. Sobre Ponto Morto – texto de Hélio Sussekind, que não conhecia. Jornalista… Espero que o Hélio, se ler, não considere depreciativo. Meu amigo Dib Carneiro é jornalista e dramaturgo premiado. Ganhou o Shell por Salmo 111 e em bom gauchês eu diria que engrandeceu o prêmio. Deveria ter sido indicado de novo e até ganhado pelo Pulsões, mas o prêmio é essa esquisitice. É só ver os premiados recentes. Pior que o Oscar. Certamente ali ninguém é o melhor. Mudando de assunto. No sábado, almocei no Rascal do Itaim com Dib e o irmão dele, o Zé e a mulher, Cristina, ambos médicos. Encontramos Bruna Lombardi, Carlos Alberto Riccelli e o filho, Kim. Estou em débito com a dupla – com o trio. Visitei o set de Amor em Sampa – uma cena na Cinemateca, em que Rodrigo Lombardi cantava. Depois, o filme musical da Bruna e do Riccelli estreou e eu estava fora. Nessa vida breve que os filmes brasileiros, exceto blockbusters, estão tendo no mercado, terminei perdendo. Amor em Sampa acaba de sair em DVD. É minha chance. Kim codirigiu com o pai. Bruna me disse que tem uma cena igualzinha no La La Land. Uma amiga já brincou com ela – por acaso Bruna não esqueceu uma cópia do script em algum táxi em Los Angeles? Tenho bombardeado o Dib contando ‘causos’ do Jovem aos 50. Tantas coisas que não sabia da Jovem Guarda e descobri vendo o filme de Sérgio Baldassarini Jr. Roberto Carlos sacramentou sua passagem para cantor romântico vencendo o Festival de San Remo com Canzone per Te, de Sergio Endrigo. Lá vou eu viajar. ‘E tu, tu me dirai, que sei felice como non c’estata mai e a un’altra Io diró, le cose che diceva a te…’ Mas é o final de La La Land! O reencontro de Ryan Gosling e Emma Stone no clube de jazz dele. Jacques Demy, Les Parapluies de Cherbourg. Catherine Deneuve promete esperar Nino Castelonuovo, que parte para a guerra – Je vous attendrai toujours -, mas não espera. Demy, o farol. Para Damien Chazelle. Para Sergio Endrigo? Para Bruna? Há um culto a Demy. Sua ex-mulher, eterna viúva, Agnès Varda, é a oficiante. Conto sempre a mesma histórias. Os Guarda-Chuva ganhou Cannes em 1964. Deve ter estreado no Brasil em 1965, porque os filmes, naquele tempo, não chegavam tão rápido. Jefferson Barros, um dos críticos mais brilhantes que já conheci – godardiano de carteirinha, apaixonado por Vincente Minnelli, Joseph Losey, Joseph. L. Mankiewicz e Luchino Visconti -, decretou que era o fim da nouvelle vague. Até podia ser, mas não pelo motivo que ele achava – o lirismo mentiroso de Demy. Os Guarda-Chuvas é um raro filme francês que, na época, encara a Guerra da Argélia e o consumismo que, depois, o General De Gaulle ia denunciar em maio de 68 (esperem por João Moreira Salles, o Intenso Agora). Godard fez Masculino Feminino em 1965, denunciando os filhos de Marx e da Coca-Cola. Chez Demy, a mãe não precisa fazer muito esforço para convencer a filha a não esperar, em troca do conforto de uma vida burguesa. Demy, críticop e virulento, malgrado sua cantoria. Tudo se encaixa. Deneuve, burguesa entediada, foi ser a bela da tarde no bordel de Madame Anaïs (Luis Buñuel, 1967). Todos os filmes dialogam, ou dialogam no meu imaginário. E Demy, o grande, é a bússola.