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John Ford, sempre. A grandeza dos derrotados: Dunkirk!

Luiz Carlos Merten

25 de julho de 2017 | 09h01

O dia foi ontem longo, e glorioso. Adorei as entrevistas com Ansel Elgort e Edgar Wright, a quem pude perguntar sobre as influências de seu filme. Vi muito de Acossado, o de Jim McBride, e de Miami Blues em Baby Driver. Sobre o segundo, Wright me disse que George Armitage, o diretor de Mami Blues, lhe enviou um e-mail entusiasmado, depois de ver Baby Driver. Legal! O debate da noite, sobre Os Meninos Que Enganavam Nazistas, foi muito legal. Adorei conhecer o rabino e sua mulher, preciso checar direito os nomes para não colocar errado no blog. Não foi a primeira vez, mas me cobraram se eu não ia escrever sobre o argentino Futuro Perfeito. Escrevi! O problema é que foi no fim de semana em que morreram George A. Romero e Martin Landau. Enterrei o Romero e escrevi a crítica de Futuro Perfeito. Havia saído do jornal quando chegou a notícia da morte do Bela Lugosi de Tim Burton. A solução foi derrubar a crítica, que saiu na primeira edição do jornal e acredito esteja no portal. E, claro, houve o Christopher Nolan. Quase morri desidratado de chorar em Dunkirk. Nolan é f… Como se filma uma derrota? E por que filmar uma derrota? Porque Dunquerque virou um símbolo, uma inspiração. O próprio Winston Churchill, manipulando aquela derrota no Parlamento inglês, virou o jogo. Salvar vidas – de ingleses -, proteger a ilha, começou aí, na resistências dos ingleses e na costura com os franceses de De Gaulle e os norte-americanos, a mega-operação que resultou no Dia D e na derrota de Adolf Hitler. Mesmo assim, se o ‘führer’ – ainda bem! – não tivesse sido burro, invadindo a Rússia no inverno, o curso da 2.ª Guerra talvez tivesse sido outro. Horror, horror. Com exemplar concisão, Nolan constrói seu filme em três frentes – no molhe, no mar e no ar. O começo é magnífico. A fuga e o tiroteio, e de repente o garoto descobre o teatro de operações. A praia gigantesca. Dunquerque! Terminou o filme e eu tinha de correr para as entrevistas de Baby Driver. Corri ao banheiro. Estou ali de pé, no número 1. Entra alguém, conversando. ‘Gostou do filme?’ ‘Achei confuso, e o final é brega, mas gostei, é legal.’ É confuso, brega, mas gostei – do quê, então, criatura? Eu amei. As três frentes – o molhe, o mar e o ar – fundem-se no piloto que consegue aterrissar na praia. E todos os caminhos do cinema levam sempre aos mestres. John Ford. A grandeza dos derrotados! Cheguei ao Edgar Wright alvoroçado, ainda decantando o Nolan. Disse-lhe que eram os dois melhores filmes (americanos) do ano, o dele e o do Nolan. Wright me disse que está louco para ver Dunkirk. E não é para ver?

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