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John Ford para aquecer a alma

Luiz Carlos Merten

22 Maio 2018 | 04h27

PARIS – Nesses anos todos – 25, 26 – que venho à França para o Festival de Cannes, nunca vi um maio tão frio. Em Cannes, era preciso casaco todo dia e aqui em Paris, subindo no domingo à noite o Boulevard Saint Michel – de bengala, devagar -, sentia o vento enregelar. É possível amar Paris em todas as estações, como dizia Cole Porter, mas nessa altura estou preferindo no verão, when it sizzles. França fria, e cheia de feriados. Durante o festival, houve dois. Minha janela, no hotel da Rue Victor Cousin, dá para a Sorbonne e, desde cedo, tem burburinho. Não nesta sewgunda, que é de feriado – Pentecostes. Fui pesquisar o que é. Uma festa judaica e cristã. Comemora o dia em que Moisés recebeu de Deus as Tábuas da Lei e a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, 50 dias após a Páscoa. Tenho feito o que gosto. Ir ao cinema. No domingo, recém chegado, fui ver uma estreia. Death Wish, Desejo de Matar, o remake de Eli Roth com Bruce Willis, o duro de matar, na pele de Paul Kersey. O arquiteto da série com Charles Bronson virou médico. Dizer que é ruim é cumprimento. Saí do cinema e já fui entrando em outro pasra rever L’Homme Tranquille, The Quiet Man. John Ford – Depois do Vendaval. Sempre me impressiono que um filme tão machista possa ser tão maravilhoso. Já passsava da meia-noite. Terminei indo dormir aquecido – no coração.