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Jogos Vorazes, o fim

Luiz Carlos Merten

17 de novembro de 2015 | 10h04

Fui ver ontem Jogos Vorazes: A Esperança – Final. Acho que o filme de Francis Lawrence deve ser bem satisfatório para fãs, mas não necessariamente para cinéfilos. A dramaturgia, a curva dramática, é bem fraquinha. Nunca li uma entrevista da autora, Suzanne Collins, e nunca participei de uma junket da série para fazer a pergunta, mas tenho, para mim, que Katniss não se chama Everdeen por acaso. Soas como Everdene, e é o nome de Batsheba, a heroína de Thomas Hardy em Longe Desse Insensato Mundo, que virou filme de John Schlesinger, com Julie Christie, e de Tomas Vinterberg, com Carey Mulligan. Aproveito e faço um parêntese. Vi ‘n’ vezes este ano, nos cinemas dos EUA, o trailer de Sufragette, quase tantas quanto o de Malala. filme sobre a vencedora do Nobel foi projetado para ser um evento, Sufragette, com Carey Mulligan e Meryl Streep (e Ben Wishaw, o Q de Spectre), para o Oscar, acho. Na entrevista que me deu, e saiu no Estado de domingo, Gabriela Duarte me falou maravilhas do Sufragette, que adorou. Ponto, fecha o parêntese. De volta a Jogos Vorazes, há tempos que se desenhou no filme o triângulo Katniss/Peeta/Gale, ou Jennifer Lawrence/Josh Hutcherson/Liam Hemsworth. Os fãs das grande literatura de Suzanne Collins (é ironia, viram?) adoram o Peeta, porque o livro, afinal, interioriza muito mais o personagem, mas o filme é outra coisa. A epiderme do ator, suas ações etc. Seria, mais ou menos, como se em …E o Vento Levou, Vivien Leigh continuasse correndo atrás de Leslie Howard, ao invés de descobrir que Rhett Butler é o cara. Em Jogos Vorazes: A Esperança – Final, Everdeen, como Everdene, fica com o bonzinho, o sem graça (as tietes vão querer me matar), e para justificar a ‘curva’ Liam Hemsworth faz tudo errado na parte final, a ponto de virar um personagem patético, e o irmão de Thor tem de ser muito bom para que a gente não suba na tela e o espanque. Me desculpem, mas são muito ‘xaropes’, os dois. Josh, o ‘bestante’, e Liam, com aquele olhar de cachorro abandonado (‘Olhaeu, tão bonito, e ela vai preferir o outro’), me cansam demais. Sempre me perguntei como e por que Julianne Moore entrou nessa que, para mim, pelo menos, é uma roubada, mas há tempos vinha se desenhando o twist final e, nessa subtrama, que é a grande trama – o combate à tirania -, a curva funciona. Julianne tem sua grande cena, como Donald Sutherland, o maléfico presidente Snow. Enfim, bye-bye Jogos Vorazes. Confesso que a série não vai me deixar saudades. Jogos Vorazes até que tinha certa ambição como crítica e isso, considerando seu público alvo, o teen, era, é, interessante. O primeiro filme, com a apresentação dos ‘Jogos’, tem o formato de um reality show, e nesse sentido o 1, como o livro, segue a trilha aberta por O Sobrevivente, com Arnold Schwarzenegger, há uns 30 anos. Em Hollywood, realmente, nada se cria, tudo se transforma. O segundo, Em Chamas, desenha a manipulação da opinião pública pela mídia, o que tem tudo a ver com O Mercado de Notícias do docudrama de Jorge Furtado (e com a realidade brasileira hoje). E agora chegamos ao desfecho, e o desfecho é a guerra de Katniss. Não tem recuo. Confronto. Durante todo o ‘episódio’ – 2h20 -, desenha-se o sacrifício, pílulas da morte pra lá e pra cá, mas o final é bastante previsível, no estilo ‘felizes para sempre’, e isso apesar da fala final sobre os pesadelos. E agora vou ‘causar’. Série por série – detesto a definição de franquia -, prefiro Divergente, adaptada dos livros de Veronica Roth, da mesma forma que prefiro Shailene Woodley como heroína de ação a Jennifer Lawrence. E o motivo é simples. Neil Burger, diretor e roteirista de Divergente, é melhor que Francis Lawrence, que seguiu com Jogos Vorazes, depois de Gary Ross (que fez o 1). Burger dirigiu O Ilusionista, Lawrence veio do remake de Eu Sou a Lenda. Não tem nem comparação, embora o segundo tenha faturado mais.

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