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João, o maestro, e seus meninos supertalentosos

Luiz Carlos Merten

17 de julho de 2017 | 23h33

Vivi momentos de encantamento, agora no final da tarde. Fui entrevistar os garotos Guido Sant’Anna e Davi Campolongo, que se apresentam no domingo num concerto regido pelo maestro João Carlos Martins. O maestro é uma figura. Contou-me das mãos, e nenhum interlocutor era mais perfeito que eu, repassou a história da perda da virgindade num bordel da Venezuela, que eu já conhecia por haver lido sua entrevista na Playboy. Quando li e soube que um filme estava sendo feito, pensei comigo – nem são loucos de omitir essa história. Mauro Lima, o diretor, a reconstitui, mas trocando a cidade. No filme, é Montevidéu. O jovem João Carlos, com o tezão explodindo, trancou-se com as putas e mandou ver durante dias. No final, convidou-as para o concerto. Pediu que reservassem lugares para suas ‘primas’. A organização colocou-as entre as ‘autoridades’. O alcaide, o bispo. Uma história digna de Gabriel García Márquez. Virou, como tinha de virar, filme – e vai inaugurar o Festival de Gramado. João, o Maestro. Sant’Anna e Campolongo têm a mesma idade – 11 anos. Campolongo faz o maestro menino na ficção. Começou a tocar piano para o filme e virou exímio pianista, Sant’ Anna é violinista. Tocaram para mim. Mozart, Khachaturian. Para completar, o próprio maestro tocou para mim. Misturou Bach com Tom (Jobim). Senti-me transportado a um mundo de sensibilidade e beleza. O local era a Fundação Bachiana Filârmônica, na Rua Álvaro de Carvalho, no Centro. O motorista do jornal ficou preocupado – tudo bem? Há um monte de sem-tetos acampados por ali. Garantem a segurança, disse o maestro. Sei que é difícil generalizar, e um dos males do Brasil atual é que hoje generalizamos sobre tudo. Todos os políticos são corruptos, os motoqueiros, principalmente de dupla, são ladrões, moradores de ruas são craqueiros etc. Graças à atenção que o maestro lhes dá, os caras são super gente fina. Não são ‘safados’, como gosta de se referir o prefeito a tudo que não seja ele, e sua turma. O mundo tem esperança, mas não é nesses salvadores fajutos da pátria. Leiam amanhã minha entrevista com o rapper Sadek, de Tour de France, no Caderno 2.

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