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Jo-Jo e a arte de enganar nazistas

Luiz Carlos Merten

19 de julho de 2017 | 08h46

Um saco de bolinhas de gude não parece um título muito interessante. Un sac de billes ficou sendo Os Meninos Que Enganavam Nazistas. Fui ver ontem, na cabine da Paris, o filme de Christian Duguay adaptado do livro de Joseph Joffo. Dois irmãos na guerra, e o mais novo é justamente Jo-Jo. A França profunda, colaboracionista. Os ocupantes nazistas promulgam leis racistas. com a cumplicidade do governo de Pétain. Os garotos têm de usar a cruz amarela de Davi na escola. De cara, a agressão. Jo-jo – ‘O que isso muda (a estrela)?’ E o coleguinha, partindo para a porrada – ‘Tudo!’ O título não deixa margem a dúvida. Os meninos vão enganar os nazistas. Jo-jo vai (sobre)viver para contar sua história. Mas, para isso, é preciso toda uma cadeia de solidariedade, até que o próprio Jo-Jo é solidário com um colaboracionista. Un Sac de Billes não é um grande filme, não possui uma grande reflexão sobre o homem no mundo – talvez sobre fraternidade -, mas conta belamente uma linda história. Cinema narrativo, eficiente, solidário. Outro dia, na redação, propuseram – sempre atrás de galerias, ou de cliques para o online – uma lista de dez filmes para chorar. Minha colega Regina (Cavalcanti) bradou – ‘Pro Merten dez é pouco. Tem de ser no mínimo 75!’ Cheguei ontem à tarde na redação de olho inchado. Regina morreu de rir quando lhe disse que estou atrás dos outros 74. Fui convidado para um debate sobre Os Meninos Que Enganavam Nazistas na próxima segunda, 24. Aviso onde vai ser.