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Jeff Bridges!

Luiz Carlos Merten

25 de fevereiro de 2017 | 09h30

Ainda estou me atualizando com os filmes do Oscar. Emendando uma viagem na outra, perdi algumas cabines e lançamentos, mas já chego lá. Curioso está sendo esse Oscar. Em janeiro, quando a Academias fez as indicações, a polarização era entre La La Land, de Damien Chazelle, e Manchester às Beira-Mar, de Kenneth Lonergan. Casey Affleck havia recebido todos, ou quase todos os prêmios dos críticos e parecia imbatível para melhor ator. Algo se passou aos longo desse 40 dias. A campanha Oscar so White, reclamando a participação de afro-americanos, e o repúdio da comunidade progressista de Hollywood ao presidente Donald Trump foram mudando as coisas. Não creio que seja um Oscar de cota racial, mas a preferência agora se divide entre La La Land (sempre!)e Moonlight – Sob a Luz do Luar, de Barry Jenkins. O favoritismo de Casey Affleck foi atropelado no Actors Guild pela vitória de Denzel Washington por Um Limite entre Nós/Fences, que também dirigiu, e o irmão de Ben Affleck agora se arrisca a sair de mãos abanando da cerimônia, mas eu ainda torço por ele. Há um clamor por Denzel. O importante produtor Scott Rudin não deixa por menos e o proclama o maior ator vivo da ‘América’, independentemente de gênero – o que o coloca acima da ‘superestimada’, segundo Trump, Meryl Streep. Eu confesso que acho Sete Homens e Um Destino, de Antoine Fuqua, mais cinema que Um Limite entre Nós, mas vai dizer isso ao pessoal da Academia. Enfim… Tá chegando a hora. Vi ontem A Qualquer Custo, de David Mackenzie, que concorre a melhor filme, ator coadjuvante (Jeff Bridges) e roteiro original (Taylor Sheridan). De maneira geral, vou dizer que não gosto de Jeff Bridges. Minha implicância com ele está um pouco ligada aos protestos contra o Oscar honorário para Elia Kazan – que, sinceramente, o próprio Kazan deveria ter recusado, porque não lhe acrescentou nada -, mas sobretudo a uma entrevista, uma mesa-redonda, por Bravura Indômita, a versão dos irmãos Coen, em que ele era Rooster Cogburn. Era voto vencido na mesa, formada por jovens, mas ficar ouvindo Jeff cagar no Duke e no grande Henry Hathaway para se autopromover e promover os ‘damn’ Coens… Os pecados que se paga no mundo. Amei o Jeff Bridges em A Qualquer Custo, gostei demais do filme de Mackenzie e o encontro de Jeff com Chris Pine, no final, tudo o que dizem e, principalmente, não dizem, me pareceu o máximo, muito bem escrito e filmado. Está sendo um Oscar de grandes finais – também. Em Moonlight, a parte de Black é a melhor. Em La La Land, o retorno à realidade, depois que o filme viaja no que poderia ter sido (e não foi), é de uma beleza de cortar o fôlego. Não vejo nada dessa ode à produção de Hollywood e aos valores norte-americanos que os detratores de Damien Chazelle veem nesse desfecho, pelo contrário. A Qualquer Custo chama-se, no original, High and Hell Water. No começo dos anos 1950, Samjuel Fuller fez um filme de guerra com esse mesmo título. No Brasil, chamou-se Tormenta sob os Mares. A guerra dos submarinos. Confesso que ainda estou processando para tentar decifrar o mistério do título, mas, fora isso, o novo High and Hell é ótimo. Dos nove indicados, ainda me falta ver Lion. Depois, a gente se fala.