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Jeanne Moreau, naquela caminhada para a glória

Luiz Carlos Merten

09 de setembro de 2017 | 10h09

Até hoje não me conformo que meu editor não tenha trocado a capa do Caderno, espremendo as mortes de Jeanne Moreau e Sam Shepard em espaços exíguos. Jeanne, a maior atriz do mundo… Cacá Diegues, citando Orson Welles. Graças a esse sortilégio do cinema, que permite às coisas e pessoas mortas
permanecerem vivas como imagem, Jeanne vai ressurgir gloriosa nesta tarde de sábado, no CineSesi/SP no Mundo, que promove o ciclo A França e o Novo. Falei da nouvelle vague no post anterior e a programação contempla obras viscerais de grandes autores do movimento – Louis Malle, um pioneiro, Jean-Luc Godard, Jacques Demy… E ainda tem Robert Bresson, que não se enquadra em nenhuma escola (a não ser a dele). Filmes que pertencem à história – Ascensor para o Cadafalso. Jeanne coopta o amante para matar seu marido e, enquanto ele comete o ato, ela, para forçar o álibi, caminha pelos Champs Elysées, ao som da trilha improvisada de Miles Davis. Malle colocou o cara no estúdio, projetou o filme e Miles fazia o que fazem os grandes jazzmen. Improvisava. Nada além de uma mulher caminhando, mas não é uma mulher qualquer. É Jeanne Moreau, a maior atriz. Há ali uma crispação do olhar, do gesto, da boca. Uma tensão. Naquele momento nascia o mito da grande atriz. E a programação, procurem no site do Sesi, ainda contempla O Desprezo, Duas Garotas Românticas e Batedor de Carteiras/Pickpocket, entre outros filmes. O travelling inicial de Le Mépris é das coisas mais belas filmadas. A jovem Deneuve e sua irmã Françoise (Dorléac) cantando e dançando – vejam a gênese de La La Land, que venceu o Oscar deste ano. E a frase final de Pickpockert, quando o batedor de carteiras… ‘Sinto que percorri um longa caminho para chegar até você.’ Começa neste sábado, 3 da tarde, no Centro Cultural Fiesp, Av. Paulista. Imperdível!

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