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Só Jean-Marc Barr mantém a força no decepcionante Ninfomaníaca 2

Luiz Carlos Merten

07 de março de 2014 | 18h53

Havia revisto na Berlinale o Volume 1 (estendido) de Ninfomaníaca. Em Paris, vi o Volume 2, do qual não gostei. Como estava numa galopante, vendo quatro ou cinco filmes por dia e ainda exposições, preferi esperar para rever no Brasil, antes de me manifestar. Revi hoje o Volume 2 e, se já não tinha gostado, agora detestei. Se o primeiro crescia em complexidade na cena com Uma Thurman e se concluía, tout en beauté, com Bach – o grito de desespero de Joe, expressando a impossibilidade de tocar o orgasmo –, o segundo desandou. Tudo o que se passa no fim entre Charlotte Gainsbourg e Stellan Skarsgaard, que a recolheu e levou para casa, foi na contramão do desfecho do primeiro filme e a misantropia de Lars Von Trier é tal que ameaça fazer de Michael Haneke um modelo de integração social. Mas eu confesso que acho que o filme tem, mesmo assim, uma cena belíssima – é aquela em que Charlotte desmascara Jean-Marc Barr, levando-o a asssumir sua pedofilia (a do personagem, digo). É uma coisa dilacerante, o equivalente da confissão de impotência ao som de Bach. A própria Joe, tão dura consigo mesma e com os outros, ao falar da compaixão que sentiu pela solidão do outro, na verdade está falando de si. E, com certeza, ela lançou Barr no mesmo inferno em que vive. Barr entrega a que é, para mim, a interpretação mais forte de todo o díptico. Só para lembrar. É discípulo de carteirinha de Von Trier. Além de ator em Europa, Ondas do Destino, Dançando no Escuro, Dogville, Manderlay e O Grande Chefe, é padrinho do filho do diretor e assumiu os ensinamentos do Dogma na própria obra como realizador.

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