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Jantar entre amigos

Luiz Carlos Merten

02 de maio de 2016 | 08h23

Jantei sábado na casa de Margô Oliveira com o Dib, mais Inácio Araújo e Sheila, Ugo Georgetti e Paola Prestes. Descobrimos afinidades, Paola e eu – adoramos saltar de pára-quedas. Conversamos sobre… cinema. Sheila fez uma análise bem bacana de Vai Que Cola – O Filme, do qual gostei e ela também. Aleluia! A Academia rende-se a Paulo Gustavo? Com Inácio e Ugo, viajei nas lembranças. Westerns, Boca do Lixo, Walter Hugo Khouri e Rubem Biáfora, os ‘suecos’ do cinema paulista e brasileiro. É injusto com Biáfora, ex-crítico do Estado, que podia gostar (muito!) de Ingmar Bergman, mas de sueco não tinha nada. Morremos de rir das histórias que Khouri me contava, de seus problemas com produtores como Alfredo Galante e Anibal Massaini Neto. Khouri, todo refinado, sonhando com a incomunicabilidade de Michelangelo Antonioni e eles que o forçavam a tirar a roupa de suas atrizes. Pior – Khouri detestava suas atrizes vestidas com os figurinos de liquidação da Boca. Monica Vitti usa aquele tailleur em Aventura que continuará sendo moderno (e de bom gosto) daqui a cem anos. E o pretinho básico, com franjas, de A Noite! Já as ‘estrelas’ da Boca… Uns estampados horrorosos, que imprimiam mal. Discutimos a realidade do cinema no País. Os filmes de gênero,, que entraram cheios de expectativa, como Sinfonia da Necrópole e O Escaravelho do Diabo, foram muito mal. Adorei o Escravelho, que tem uma história ótima. Por que o público não vai? Ugo Georgetti tem sua teoria de que os autores fizeram o cinema brasileiro contra o público e a televisão virou, impôs-se, (como) a linguagem audiovisual do povo brasileiro. São discussões interessantes para prosseguir no Recife. Estou indo para o aeroporto. Começa hoje à noite o Cine PE. Sigo dando notícias de lá. E, na próxima segunda, 9, já é outra partida, para a França (e Cannes). Está (re)copmeçando minha temporada de festivais.