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Jamie Foxx, Chuck Norris e o casamento gay

Luiz Carlos Merten

18 de dezembro de 2012 | 12h48

Jamie Foxx desfruta da fama de ser um dos caras f… de Hollywood. Digo – literalmente. Aquilo que antigamente se chamava de rabo de saia. Um cara que ama as mulheres e faz a fila andar. Nas entrevistas de ‘Django Unchained’, Django Livre – que estreia no Brasil em 19 de janeiro –, Foxx estava acompanhado de Kerry Washington, que faz sua mulher. O filme é sobre um escravo alforriado, que vira homem livre (e bounty killer), na tentativa de encontrar e libertar a mulher. É uma história de violência (é Tarantino, né?), um drama de escravidão, um spaghetti western e, também, uma love story, pois Quentin, no fundo (“Jackie Brown’, ‘Kill Bill’), ama as histórias de amor. Não se esqueçam de que ele escreveu ‘Amor à Queima-Roupa’, que virou filme (bom) de Tony Scott. Já havia entrevistado Jamie Foxx – no Rio, pela animação de Carlos Saldanha. Ele é divertido, de bem com a vida. Achei que a nova entrevista seria por aí. Jamie Foxx continua de bem com a vida – comemorara seu aniversário na noite anterior e enchera a cara de tequila, como disse –, mas o teor da conversa agora foi bem mais grave, um pouco pelo fato de ‘Django’ ser, como já disse, ‘a slavery drama’, mas também porque a parceira dele era a própria passionária negra. Se Kerry enfrentou alguma vez o racismo em sua vida? Afinal, belíssima, uma estrela de Hollywood… Alguma vez?, ela retrucou. All the time. Há uma forma muito sutil de as pessoas fazerem lembrar quem, ou o quê, você é, ela disse. Um aspecto da c onversa me pareceu particularmente interessante. Na época retratada por Tarantino, os negros eram propriedades de seus donos e não podiam se casar. Eventualmente, os donos escolhiam os melhores espécimes e os cruzavam, como se faz com os animais, mas na maioria das vezes os bebês eram mortos porque não interessava aos proprietários ter alguém (a mãe, ou quem quer que fosse), dispendendo tempo para tratar dos babies, amamentar etc. Por todo o Sul, nas grandes plantações, existem os cemitérios de anjos. Até os anos 1950, em muitos Estados do Sul, olhem a loucura, homens e mulheres negros viviam juntos sem casamento porque a lei não lhes facultava esse direito. Foi nesse contexto que o machão Foxx e a sexy Kerry fizeram a defesa do casamento gay, um assunto controverso, e não apenas nos EUA. O assunto surgiu porque Foxx contou que tem um programa de rádio e o assunto volta e meia aparece, como tema para discussão. Ele contou que tem uma filha , e a garota tem amigos gays, straights. Todo muindo frequenta a casa, sem discriminação. Como poderíamos ser contra, se a gente, há relativamente pouco tempo, também não podia se casar?, perguntou Kerry. Estou relatando isso porque achei bacana da parte de ambos – e a justificativa me impressionou –, mas também porque ainda estou impactado pela informação que encontrei na rede, segundo a qual Chuck Norris virou campeão de audiência na TV norteamericana (um recorde histórico, 100 e tantos milhões de telespectadores) ao assumir, na CBS, que é gay. O homem da patada, o lobo solitário – são com ele as melhores cenas de ‘Os Mercenários 2 – De Volta à Ação – saiu do armário e se justificou dizendo que a morte de seu grande amor o fizera se assumir. E quem foi esse grande amor? O ursinho de Chuck Norris? Bud Spencer – o parceiro de Terence Hill, na série Trinity. O amor que não ousa/ousava dizer seu nome. Cara…mba. Esse Chuck Norris tem de ser muito macho para assumir isso. Outros fortões, que também são, ainda não tiveram essa… ‘garra’? Calo-me. Não vou acrescentar mais nada. Vocês que façam as ilações que acharem pertinentes, nas duas histórias.

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