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Italianos em Cannes

Luiz Carlos Merten

17 de abril de 2015 | 01h39

Thierry Frémaux divulgou ontem em Paris a seleção oficial dos filmes que vão concorrer à Palma de Ouro de 2015. Nenhum brasileiro, ou mesmo latino-americano, integra o lote, mas o próprio Frémaux anunciou que ainda faltam três ou quatro títulos para completar a seleção, a primeira na era pós-Gilles Jacob. Teremos o novo Woody Allen fora de concurso, o novo Mad Max, mas confesso que me entusiasmei com o anúncio de que Todd Haynes, Hou Hsiao Hsien, Jia Zhang-ke, Hirokazu Kore-eda e Jacques Audiard estarão de novo na disputa pela Palma. Acho bem interessante o Joachim Trier, um pouco menos o Gus Van Sant e acho legal que Maiween também volte à Croisette, e competindo. Mas nada me surpreendeu tanto quanto o anúncio de que teremos três – três! – italianos. No Nanni Moretti já se falava desde Berlim. Cheguei a postar que ele ia competir. mas agora teremos também Matteo Garrone e Paolo Sorrentino. Já entrevistei um e outro e me surpreendeu muito saber que moram no mesmo prédio e trocam figurinhas no elevador. Imagino a cena – Com’estai, Paolo? E tu, Matteo, ci vediamo a Cannes? Será a primeira vez em mais de 60 anos que uma mulher, Emmanuelle Bercot, fará a abertura, com La Tête Haute. Orlando Margarido já fez a piada dizendo que, se era para ser uma mulher, que pelo menos fosse mais feminina… Ainda faltam quatro. Teremos algum brasileiro? Ouvia tanto falar no Quase Memória, de Ruy Guerra. O que sei é que Casa Grande vai para uma nova seção, Cannes Petit, que vai abrigar só primeiros filmes. A crítica que tradicionalmente se faz a Cannes – só nomões na competição – segue valendo, apesar de termos autores ainda em afirmação, como Stéphane Brizé, Valérie Donzelli, Yorgos Lanthimer… Quanto ao Macbeth de Justin Kurzel, como resistir a Michael Fassbender e Marion Cotillard? No ano passado, na entrevista pelos Dardenne, Dois Dias e Uma Noite, ela já falava da sua Lady Macbeth. Boto fé, porque o diretor é premiadíssimo na Austrália e também porque será o homem por trás da adaptação de Assassin’s Creed, que Fassbender vai produzir. Do game, não sei, mas li todos os livros, que adoro. Dariam ótimas aventuras do meu querido Riccardo Freda…

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