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Italianos, brava gente

Luiz Carlos Merten

18 de novembro de 2020 | 20h14

Há tantos dias não posto. Não sei nem por onde começar. Sei, sim – Boulos no 2º turno, aleluia! Nem tudo está perdido. Revi no sábado à tarde Titanic no programa duplo em homenagem a Leonardo DiCaprio no canal Fox. Não me apeteceu rever O Regresso, porque, apesar dos Oscars, a versão de Richard C. Sarafian dá de 10 na de Alejandro González-Iñárritu (e ainda tem John Huston carregando seu barco pelo seco, proeza digna do Capitão Ahab, ou de Fitzcarraldo.) Confesso que nunca fui muito fã de Titanic – naquele ano torcia no Oscar por Los Angeles – Cidade Proibida, de Curtis Hanson -, mas rever o filme de James Cameron, principalmente na segunda metade, quando o transatlântico já está condenado e começa a afundar, me causou uma impressão muito viva. Na contramão de John Ford – a grandeza dos derrotados -, o que as pessoas fazem no Cameron por um lugar naqueles botes salva-vidas, insuficientes para abrigar todo mundo, não está no gibi. Achava DiCaprio interessante quando ele despontou substituindo River Phoenix, mas depois a cara de bebê com a pele enrugada – que não se via desde Mickey Rooney – não me convence, mas sou eu. A Academia, os tietes de Martin Scorsese, todos o amam. Sejam felizes. Continuo fazendo minhas entrevistas – Lázaro Ramos, pela Semana da Consciência Negra; Bárbara Paz, pela indicação de Babenco – Alguém Tem de Escutar o Coração e Dizer que Parou, como candidato do Brasil no próximo Oscar, um documentário!, e Francesco Bruni, de Cosa Sarà, para o Festival de Cinema Italiano, etc. Já estou começando a substituir os links por cabines – Mulher Oceano, e aquela visão do mar por Djin Sganzerla e André Guerreiro Lopes realmernte não é coisa para se ver no laptop. No domingo, mesmo tendo feito a matéria sobre os clásssicos italianos no Telecine Cult, esqueci-me da programação e só caí nela por acaso, ao zapear, quando já estava no ar o Vittorio De Sica. Revi Ladrões de Bicicletas como se fosse a primeira vez – juro que não me lembrava de certas cenas. Na sequência entrou o Milagre em Milão e eu sinto que preciso ter uma boa conversa com André Bazin, brincadeirinmha, porque todo aquele entusiasmo pelo neo-realismo hoje parece bem excessivo (em relação alguns autores, pelo menos). Foi, aliás, parte do meu assunto com o Francesco Bruni. Conversamos sobre a oscilação da crítica em relação ao cinema, e aos cineastas. A culpa é do desprezo dos velhos críticos pelo cinema de gênero. Em sua última edição, uma dessas revistas de língua inglesa – Sight and Sound, Film Comment – resgata os filmes de Fernando Di Leo, os gialli, tratando como onras-primas obras recebidas a pauladas nos anos 1960 e 70.

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