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Invocação do mal (à brasileira)

Luiz Carlos Merten

08 de setembro de 2020 | 12h12

Por mais que aprecie o cinema de gênero – e para a nova geração ele virou sinônimo exclusivamente de terror -, confesso que ando perdendo o frissom. Macaco velho sempre pressente aonde as coisas vão chegar, e eu tendo a me aborrecer. Mas tenho minhas exceções – James Wan, no cenário mundial, e a dupla Marco Dutra/Juliana Rojas de As Boas Maneiras, no Brasil. Só para esclarecer, meu favorito, nesses filmes de gênero, é A Freira, o spinoff de Corin Hardy de Invocação do Mal 2. Tem ali um romantismo mórbido – o homem que se sacrtifica para salvar a freira – que me fascina. Faço esse preâmbulo para chegar ao Rodrigho Aragão que abriu, no domingo, o CineFantasy, no Belas Artes Drive-in, com O Cemitério das Almas Perdidas. O retorno do diretor à sua obsessão, o Livro de São Ciprisano. A invocação do mal em versão brasileira, mass o demo só vem se houver sacrifício de sangue. Na ficção do Rodrigo, um jesuíta aporta na costa brasilerira com o livro – a colonização como destruiiçãso das almas. O relato segue duas linhas de tempo, que se fundem – a trupe que apresenta o espetáculo Mausoleum e o jesuíta e seus seguidores – as almas perdidas – que dizimam uma tribo. O embate final se trava entre dois jovens, o negro e a indígena – mais excluídos, impossível – e os mortos-vivos consagrados ao Diabo. Embora não tenha ficado 100% convencido da eficácia da ‘dramaturgia’ (e suas alegorias), fiquei 1000% siderado na potência da imaginação visual do diretor. Caraca que ele é bom. Fiz uma pesquisa e descobri que se trata do filme mais caro do Aragão – pouco mais de R$ 2 milhões. Os recursos foram bem empregados para criar a ambiência fantástica, e lá vou eu comprar confusão. Imagino que Aragão admire muito José Mojica Marins – a quem cita -, e sei perfeitamente que o Zé do Caixãso está entronizado naquele nicho do cinema brasileiro. Respeito, mas dizer que ‘gosto’ é meio forte. Gostei, isso sim, de ter visto Cemitério. O CineFantasy começou com homernagem a Gilda Nomacce, e foi uma pena que não tenha sido mostrada no telão. Prossegue na plataforma do Belas Artes, espero que com coisas tão boas como esse filme do Aragão.

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