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Indiana Jones, cria de 007?

Luiz Carlos Merten

23 de março de 2020 | 21h46

Faltou acrescentar, no post anterior, que às 8 da noite de ontem, depois de mais de 6 horas – e três e meio filmes da série Velozes e Furiosos -, mudei de canal e migrei para outra série, a de Indiana Jones. Perdi o primeiro, Os Caçadores da Arca Perdida, nas revi inteiros O Templo da Perdição e A Última Cruzada. Não preciso dizer quanto respeito Steven Spielberg e admiro sua trilogia informal sobre o 11 de Setembro – O Terminal, Guerra dos Mundos e Munique -, mas tenho de admitir que revi os dois filmes sem grande entusiasmo, em todo caso, com menos empatia que as aventuras de Toretto e seus amigos. A confusão na abertura do Templo e o desfecho nos trilhos da mina – e na ponte pênsil – continuam legais, mas não fiquei muito convencido de que a defesa do colonialismo embutida na trama seja só para respeitar o tipo de cinema que Spielberg e o produtor George Lucas estão homenageando. O machismo também é forte, por mais divertida que seja a gritaria de Cape Capshaw e a ansiedade dela que jogou seu charme sobre o dr. Jones, na cena, de resto ótima, em que o espera no quarto. A Cruzada, da qual sempre gostei, continua OK. Me lembrava em detalhes da cena da caverna, levando à gruta e ao cavaleiro que guarda o Graal, mas havia me esquecido do background nazista e da piada quando Indy fica frente a frente com Hitler, segurando o diário de seu pai que tem o mapa da mina para o cálice sagrado, e o führer, depois de alguma hesitação, assina o autógrafo. Genial. Quando fiz o destaque de domingo na coluna da minha amiga Eliana Souza, no C2, havia escolhido justamente a maratona de Indiana Jones. Para isso,voltei à grande biografia de Spielberg por Joseph McBride, na editora da Universidade do Mississippi, em busca de informações. Tom Selleck, quem não sabe?, foi o ator escolhido por Spielberg, mas preferiu ser o Magnum da TV e abriu caminho para Harrison Ford, com quem o produtor George Lucas havia feito o Star Wars de 1977, mais tarde, Episódio IV. Lucas via Indiana como uma espécie de James Bond e chegou a encomendar ao roteirista Lawrence Kasdan uma cena de sedução que Spielberg se recusou a filmar (mas o diretor, na quebra de braço, também perdeu, porque via o personagem como um alcoólatra bogartiano. O personagem mudou muito para chegar ao formato definitivo.) Pareceu-me, de qualquer maneira, bem interessante que a Cruzada referende a filiação a 007, ao fazer com que Sean Connery não apenas interprete o pai de Harrison Ford, mas também que os dois tenham ido para a cama com a cientista nazista. (É o famoso tal pai, tal filho.) Ela, aliás, sopra no ouvido do filho como foi boa a noite com ele, e o pai toma a frase como elogio para ele, já que ambos estão colados, presos e amarrados. Pode parecer tolice tanta tergiversação sobre um personagem de ficção, mas Indy é um ícone da cultura pop e tenho certeza de que muita gente está esperando por sua quinta aventura, que Spielberg não vai dirigir, mas Harrison Ford garante que será muito boa – o roteiro, segundo ele, é ótimo.