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In memoriam de Barbara Loden ou Suite para Wanda

Luiz Carlos Merten

06 de setembro de 2017 | 12h57

Prometi outro post e aqui vai ele. Há um culto a Barbara Loden. Barbara quem? Ela morreu em 5 de setembro de 1980. Se tivesse escrito o post ontem, teriam sido exatamente os 37 anos de sua morte. Barbara tinha 48 anos (nasceu em 1932). Foi atriz e mulher de Elia Kazan, com importantes papeis em Rio Violento e Clamor do Sexo – no qual fazia a irmã de Warren Beatty. Kazan dirigiu-a também no teatro, Depois da Queda. Barbara morreu de câncer. Sempre ouvi dizer que foi sua pior inimiga, uma daquelas pessoas que dificultava, senão impedia, que os outros a amassem. Barbara dirigiu um só filme, e é uma obra cult. Wanda ganhou o prêmio da crítica em Veneza, 1970. A versão restaurada passou de novo em Veneza, em 2004 ou 2005. Tem 94% de aprovação, bom e ótimo, no site Rotten Tomatoes. Nunca vi Wanda, mas de tanto ouvir falar desse filme mítico tenho a sensação de conhecê-lo. Barbara escreve, dirige e interpreta. Wanda separa-se do marido e ele ganha a guarda dos filhos. Com pouco dinheiro, ela tira um cochilo no cinema e é roubada. À deriva, envolve-se com um assaltante que morre tentando roubar um banco. Wanda é abusada, agredida. Vive o que se pode chamar de vida de m…, mas algo deve ter o filme para ser essa unanimidade. Gostaria muito que algum distribuidor independente o lançasse nos cinemas, ou em DVD (e Blu-ray). Volta e meia Wanda reaparece na imprensa especializada norte-americana. Recentemente, foi numa análise sobre grandes diretores de um só filme – lá estava Barbara Loden e Leonard Kastle, de The Honeymoon Killers, que ganhou versão de Arturo Ripstein no México, Profundo Carmesí. Na Film Comment de july/august, o filme ressurge por meio de um livro, Suite for Barbara Loden, de Nathalie Léger, que David Thomson, o autor do texto, define como ‘o tipo do livro que grandes filmes merecem’. Segundo ele, Léger borra as fronteiras entre história e ficção e cria um relato apaixonante sobre uma rebelde adiante de seu tempo e um filme que possui uma mitologia própria. Thomson chega a dizer que nós, cinéfilos, vamos gostar de andar com roupas de bolsos largos só para poder carregar esse livro, e para ter o prazer de redescobrir, a qualquer momento, o prazer da leitura (e de suas observações). Suite for Babara Loden possui 123 páginas e surgiu originalmente na França, em 2012. A versão em inglês é resultado de um tal Dorothy Project. Parei para pesquisar o que é e achei bem interessante. Vale conhecer – o projeto, o livro de Léger e o filme de Barbara Loden.

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