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Imelda Staunton tinha razão

Luiz Carlos Merten

12 Julho 2016 | 22h44

Cheguei agora em casa e reli meu post sobre A Lenda de Tarzan. É muito longo, mas, se cheguei a pensar em reescrever, para encurtar, sinto informar que acrescentei uma palavra aqui, outra ali, tornando-o mais longo. Sei que estou na contracorrente dos fenômenos da internet, mas prefiro assim. Confesso que tenho um problema com essa bela moça, a Jane de David Yates. Robbie…? Minha tendência é sempre escrever Robbie Kidder, mas sei que não é. Resolvi pesquisar e fui pelo título do filme. (O nome dela é Margot Robbie, by the way). Encontrei como primeira chamada Três Motivos para Ver e Três Motivos para não Ver A Lenda de Tarzan. Uma galeria de seis fotos! A internet, que é burra e não se preocupa com conteúdo, promove essas bobagens. Acho até que dava para inverter – os três motivos para não ver deveriam ser os para ver. Admito que é uma opinião pessoal. Não gostei dos dois primeiros filmes da saga de Harry Potter, dirigidos por Chris Columbus, achei que Alfonso Cuarón redimensionou, grande diretor que é, a história do bruxinho no cinema, Mike Newell seguiu melhorando, mas a coisa só mudou de figura quando entrou em cena David Yates. Lembro-me de haver entrevistado Imelda Staunton em Cannes por algum Mike Leigh, cara mais chato, credo. Como Imelda faz Dolores Umbridge do quinto ao sétimo episódios de Harry Potter, ela, que estava ali para falar de outro filme e diretor, me disse, quando perguntada, com todas as letras, que achava Yates um gênio. A sort of, uma espécie de, sou forçado a concordar agora. Transformar uma aventura assumidamente ‘antigona’ numa densa experiência emocional não é pouca coisa. Deveria ser esse, penso, o maior motivo para se assistir ao filme, mas nem entra nas ‘cogitações’, nos tais motivos alegados por nem sei quem na rede. Eu, hein? Acrescento que, mais de 30 anos atrás, já gostei de Greystoke, a Lenda de Tarzan, o Rei das Selva, de Hugh Hudson, com Christopher Lambert. Hélio Nascimento, grande crítico de Porto Alegre, compartilhava, espero que ainda compartilhe, esse amor. Greystoke era o garoto selvagem do autor inglês. Instinto versus civilização. Alguns dos conflitos do filme antigo estão no atual, mas não esse. Encontramos lorde Greystoke antes de Tarzan e, quando o dr. Williams (Samuel L. Jackson) o chama por seu nome da selva, Alexander Skarsgaard responde altivamente, lembrando sua linhagem. É um homem civilizado e, como tal, combate os novos bárbaros, representados pelo Capitão Rom (Christoph Waltz), o braço sangrento do colonialismo, que não recua diante de nada para conseguir os braços de que necessita para construir estradas de ferro e explorar riquezas. O herói termina o filme com o filho nos braços. É Tarzan, e é Lord Greystoke. Maior que o homem é a lenda. Gostaria de agradecer a David Yates. Embora ele dedique A Lenda de Tarzan a ‘Jerry’, que não sei quem é, tive a impressão de que ele fez seu filme para mim, ou alguém como eu.