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Ilhas de ferro

Luiz Carlos Merten

01 Dezembro 2018 | 10h11

Já postei, durante o Festival do Rio, que gostei demais do novo filme de Paulo Sacramento, O Olho e a Faca. Mas eu sou esse ser estranho, porque fui conferir o título – estava escrevendo A Faca e o Olho, talvez por influência de A Faca e o Rio, filme cultuado de George Sluizer, acho que de 1972 ou 73 – e encontrei uma ‘crítica’ dizendo que as motivações não se sustentam de uma forma crível através do personagem de Rodrigo Lombardi. Jesus! Não só achei que se sustentaram – uma crise afetiva e profissional -, como fiquei chapado com a interpretação do ator. O Olho e a Faca passa-se numa plataforma de petróleo e é por isso que estou escrevendo o post. Acho muito curioso que estejam saindo juntos o filme do Sacramento e a primeira temporada da série Ilha de Ferro, de Max Mallmann e Adriana Lunardi, que já está disponível no serviço de streaming da Globoplay. A ‘ilha de ferro’ é a plataforma de petróleo em que os personagens – Cauã Reymond lidera o elenco – ficam confinados por longos períodos, vivendo duas vidas, uma no mar e outra em terra. Não quero tecer nenhuma teoria da conspiração, mas não creio ser mera coincidência esse interesse pelo assunto num momento em que tanto se discutem as privatizações – da Petrobrás, inclusive e principalmente. Não sei qual é o foco de Ilha de Ferro – vou ter de me render ao streaming, porque estou perdendo coisas que me parecem importantes -, mas O Olho e a Faca propõe uma discussão forte sobre as questões de poder e representatividade (de classe) no trabalho, com o personagem de Lombardi sendo manipulado por seu superior, e reagindo a isso.