As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Idiossincrasias

Luiz Carlos Merten

27 de dezembro de 2013 | 10h07

Nem sei por onde começar. Imagino que vocês devam pensar que tento ser folclórico ao contar essas histórias de como as coisas se perdem na confusão da minha casa. O Ipad reapareceu! Ótimo, o problema é agora o que vou fazer com ele? Ontem, fiz uma descoberta muito interessante. Numa pilha de livros, encontrei o de Alexandre Kishimoto sobre o cinema japonês na Liberdade. Tinha me passado despercebido. Desculpe, cara. Muitas histórias divertidas e Carlos Reichenbach, claro, é um personagem central nessa viagem pela memória do bairro e do cinema. Compartilhava com Carlão o amor por Eizo Sugawa e estava com ele, integrando o grupo que a Fundação Japão levou a Tóquio, em 1995. Lembro-me do Sugawa, todo formal, desarmado pela quebra de protocolo, quando Carlão, em transe diante de seu ídolo, o tomou nos braços. Já contei que minha iniciação ao cinema japonês, em Porto, onde não havia um bairro Liberdade, deu-se principalmente por meio dos festivais – um filme por dia – que a Toho promovia no velho Cacique, durante o carnaval. Eu, que sempre fui carnavalesco, dividia-me entre Momo, à noite, e Mifune, à tarde. E assim vi muita coisa, mas Sugawa eu via no Marabá e no Baltimore. Morte à Fera, Arma Fatídica. Assim como desde cedo criei um panteão dos meus diretores preferidos, também selecionava meus atores. John Wayne, que não era só um ícone, era um extraordinário ator – que o digam O Homem Que Matou o Facínora, de John  Ford, e A Primeira Vitória, de Otto Preminger -, Delon, mais até por O Sol por Testemunha que por meu amado Rocco, e Nakadai. O ator de Masaki Kobayashi e Sugawa sempre foi um deus para mim. Lendo o livro do Kishimoto, descobri que Rubem Biáfora, o grande crítico, um dos mais influentes da história do País, detestava o Nakadai e o achava muito ruim. Todos nós temos nossas idiossincrasias. Eu não digo que não gosto do Sean Penn? Digo e repito, mas em Walter Mitty ele me seduziu. Com Biáfora não tinha essa. Ele gostava de certos filmes, e diretores, a despeito de Nakadai. Jesus! Vou carregar para o túmulo a tristeza por não ter ficado mais uns dias em Paris, em junho – após Cannes -, para ver a master class de Nakadai na Fundação Japão de lá. Para Biáfora, Nakadai era uma enganação, era nada. Para mim, para o Carlão, era tudo (é tudo, está vivo). Um dos maiores atores da Terra.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: