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Hong Sangsoo, que vai abrir o Festival Indie

Luiz Carlos Merten

09 de setembro de 2017 | 09h36

Havia a expectativa de que Daniela Vega ganhasse o prêmio de interpretação feminina em Berlim, em fevereiro, por Uma Mulher Fantástica. Teria feito história, como a primeira mulher trans a vencer um grande festival de cinema. O júri preferiu outorgar o prêmio a Kim Minhee, pelo filme On the Beach at Night Alone, de Hong Sangsoo. Com o título de Na Praia à Noite Sozinha, o Hong Sangsoo inaugura o Festival Indie na quarta-feira. Adoro os filmes do sulcoreano, talvez o mais nouvelle vague dos autores em atividade no mundo. Não temos visto muito por aqui o cinema de Christophe Honoré, mas sempre tem o Philippe Garrel, e ele vai ser homenageado com uma retrospectiva no Indie. Também havia visto em Berlim o filme da Laís Bodanzky, Como Nossos Pais. Os filmes permanecem os mesmos, mas mudou a minha percepção – tanto de Nossos Pais como de Na Praia. Saber que Laís e o ex-marido, o roteirista Luiz Bolognesi, se separaram construiu um outro filme no meu imaginário. Deixou de ser uma ficção, ou pelo menos virou a ficcionalização do processo deles. O final… Laís diz que não consegue filmar sem se projetar nos personagens, mas ela, de uma forma especial, e liberta, é Maria Ribeiro naquela bicicleta. E o Hong Sangsoo… O filme dele conta três histórias, ou é uma história em três capítulos? O último trata de um acerto de contas. Um diretor, sua ex-atriz, nós que nos amamos tanto. Gostei do filme em Berlim e entendi a opção do júri, premiando a bela Kim, de A Criada. Mas é curioso – descobri depois que Sangsoo e Kim protagonizaram um escândalo nacional. Ele é um autor, não faz filmes de grande ressonância popular. Mas o fato de ter largado a família para ficar com Kim virou tema de debate na sociedade. E sabendo disso, e revendo o filme, o conflito está todo lá. Na tela! É curiosa nossa relação – a minha – com o cinema. Não tenho o menor direito de dizer isso, mas Laís e Luiz me pareciam um casal para sempre. Talvez sejam – na arte. Hong Sangsoo é um fenômeno. Venceu em Berlim (melhor atriz) e, menos de três meses depois, tinha dois filmes em Cannes, em maio – The Day After, na competição, e Claire’s Camera, em Special Screenings. Até nesse sentido, ele é nouvelle vague. Jean-Luc Godard e Anna Karina, François Truffaut e suas mulheres. Arte e vida têm de andar juntas, e a segunda reflete a primeira como um espelho…

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