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Hoje tem Democracia!

Luiz Carlos Merten

18 de março de 2019 | 09h37

Consegui encaixar o Suprema nos meus horários, e foi oportuno. Cheguei ontem ao jornal achando que tinha só os filmes na TV e o Pastor Cláudio, a entrevista com Beth Formaggini, mas aí havia caído outra matéria – nem sei qual -, abriu-se um espaço e aproveitamos para dar o filme de Mimi Leder com Felicity Jones. Que loucura! Não sei bem por quê – o inconsciente tem dessas coisas -, mas entrei na sala crente de que ia ver a Felicity Huffman. Afinal, uma juíza da Suprema Corte dos EUA, a mulher que estabeleceu a jurisprudência em importantes questões de gênero na ‘América’ – Ruth Bader Ginsburg -, me parecia adequada para a atriz de Transamérica e Desperate Housewives. Encontrei a garota de Rogue One – Uma História Star Wars e a Jones sai-se muito bem, até forçando certa semelhança física com Ruth, embora seja muito mais bonita que ela. Legal! O único problema é que havia comprado ingresso para ver Diários do Abismo no Sesc da 24 de Maio, às 6 da tarde, e perdi a sessão. Claro que vou conseguir recuperar outro dia, mas terminei indo para a região da Paulista jantar, tive encontros inesperados, minha noite seguiu outros rumos. Nesta segunda tem Democracia na MIT, estou falando da montagem de Felipe Hirsch sobre o texto Facsímil, do chileno Alejandro Zambra, a que assisti em janeiro no Santiago a Mil. Felipe tem sido muito generoso comigo. Me escreveu um e-mail com um texto lindo, sobre meu post do Democracia. E me escreveu outro, no fim de semana, sobre meu post juntando Milo Rau, Glauber Rocha e sua bela montagem de Fim. A vida dá tantas voltas, Felipe tem me surpreendido com a inteligência, sensibilidade e voltagem crítica de seus novos filmes e encenações. Gostei tanto de Severina, mas me pergunto até que ponto outro filme de uma diretora que nunca me foi palatável – Isabel Coixet – contribuiu para isso. Gostei, contra tudo e todos, de A Livraria, que me pareceu o melhor filme de Isabel (o menos ruim?) e aí, de alguma forma preparado, tive uma epifania vendo Severina. Democracia me intrigou. Um teste de competência para um concurso coloca em xeque o mito da meritocracia e expõe contradições da sociedade chilena pós-ditadura, que o ministro da Economia do coiso comparou à Suíça, elogiando os Chicago boys que transformaram o Chile em cobaia de experimentos impostos pela brutalidade de Pinochet e seus acólitos. Só para lembrar, os Chicago boys faziam suas reformas e Pinochet enriquecia desviando dinheiro público, conforme sentença do Supremo do Chile no ano passado – quase US$ 18 milhões que prescreveram e pertencem aos ‘herdeiros’. Democracia terá apresentações desta segunda a quarta na FAAP, às 9 da noite. E o Felipe se prepara para filmar de novo, com Alice Braga.