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Histórias do Oscar

Luiz Carlos Merten

23 de fevereiro de 2018 | 20h14

Tenho um livro chamado The Academy Awards Handbook, de um tal John Harkness, que, imagino, deva ser atualizado regularmente. A edição que tenho é de 2001, quase 20 anos já. Em época de Oscar, sempre dou uma olhada. Fui direto (por que?) ao ano de 1970. George C. Scott ganhou o Oscar por Patton, Rebelde ou Herói?, de Franklin J. Schaffner, que também venceu como melhor filme, diretor, roteiro, montagem, direção de arte e som. Scott havia anunciado que não era cavalo numa corrida e, mesmo que fosse indicado e vencesse, não iria receber a estatueta. Dois anos depois, Marlon Brando também não foi receber seu segundo Oscar – por O Poderoso Chefão – e enviou uma índia, falsa, descobriu-se depois, para receber por ele. O livro informa o que não sabia. O então presidente Richard Nixon exibiu Patton diversas vezes na sala de cinema da Casa Branca e, em discussões com o alto staff dos Departamentos de Estado e da Defesa, decidiu-se pela invasão do Camboja. Portanto, se não fosse Patton na Casa Branca, não teria havido invasão, o Khmer Rouge talvez não tivesse chegado ao poder, o repórter Sidney Schanberg, do The New York Times, não teria sido enviado para cobrir a guerra pelo jornal, seu guia Dith Pran não teria sido preso e enviado para um campo de reeducação, o que nos leva a outro filme, Os Gritos do Silêncio, de Roland Joffe, mais de uma década depois, e no qual um ginecologista que fugiu do país não teria virado ator e ganhado seu Oscar (de coadjuvante) pelo papel de Dith Pran, Haing S. Ngor. E o mais incrível. Orson Welles, que nunca engoliu o fato de Cidadão Kane ter sido preterido em 1941, recebeu um Oscar especial – que, como George C. Scott, não foi receber. Welles enviou um discurso de agradecimento e disse que estava preso na Espanha filmando (o inacabado) The Other Side of the Wind. John Huston foi em seu lugar e aceitou o prêmio. O mais divertido. Welles estava em suas casa, em Hollywood, e Huston, depois da festa, foi lhe entregar o prêmio, que ambos brindaram tomando um porre!

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