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Histórias do Oscar (6)

Luiz Carlos Merten

26 de fevereiro de 2018 | 09h14

Volto às histórias do Oscar, com base no livro de John Harkness, The Academy Awards Hanbdbook. Em 2002, Gangues de Nova York recebeu dez indicações para o prêmio e nenhuma estatueta, o que foi o máximo de desfeita que a a Academia fez para Martin Scorsese. O filme, sempre achei, era uma fraude e começou mal a parceria de ‘Marty’ com Leonardo DiCaprio, embora, para dizer a verdade, nunca tenha visto nada que me agradasse desses dois, sendo o menos ruim Os Infiltrados, que venceu como melhor filme e diretor, anos mais tarde. Mas a Academia havia feito pior com Steven Spielberg. Em 1985, A Cor Púrpura teve 11 indicações, não venceu nenhuma e Spielberg sequer foi indicado para diretor. O filme repetiu as indicações de outro notório derrotado – Momento de Decisão também teve 11 em 1977, não levou nenhuma, mas pelo menos Herbert Ross foi indicado como diretor. (Foi o ano de Woody Allen, Annie Hall/Noivo Neurótico, Noiva Nervosa.) A Cor Púrpura foi um marco da consciência negra, e centrado numa personagem feminina e lésbica. Mas havia o fato de Mr. Spierlberg ser um branco e estar contando a história original de Alice Walker. A bronca era com Spielberg, claro. O que nos leva diretamente a 1989. No ano de Faça a Coisa Certa, a Academia indicou o filme manifesto de Spike Lee em duas categorias, apenas – melhor roteiro e ator coadjuvante, Danny Aiello. Não venceu nenhuma,mas pelo menos Aiello perdeu para Denzel Washington, que iniciava sua trajetória triunfal com Tempo de Glória. O melhor filme do ano foi Conduzindo Miss Daisy, de Bruce Beresford, sobre aquele motorista negro (Morgan Freeman) que foi a vida toda fiel servidor de uma dama branca (Jessica Tandy, melhor atriz). Oliver Stone recebeu sua segunda estatueta de direção por Nascido em 4 de Julho. Houve só um protesto a favor de Spike Lee no palco, e quem o defendeu foi Kim Basinger, que amei em Los Angeles – Cidade Proibida, a obra-prima de Curtis Hanson, e, nesse momento, Kim está subindo ainda mais no meu conceito – não me lembrava do episódio. Ao apresentar o clipe de Sociedade dos Poetas Mortos, que venceria roteiro original (Tom Schulman), ela lamentou a ausência de Spike Lee nas demais categorias. Não foi levada a sério porque, informa Harkness, o tititi, the talk of the town, foi o vestido que ela usou na cerimônia. A segunda mais malvestida ever, após a imbatível Cher. Foi a maneira maldosa de desviar a atenção para a seriedade do seu desagravo.

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