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Histórias do Oscar (5)

Luiz Carlos Merten

24 de fevereiro de 2018 | 12h27

Em 1984, Sally Field chorou – “Vocês me amam!” – ao receber seu segundo Oscar, por Um Lugar no Coração, de Robert Benton. Foi também o ano em que Amadeus, de Milos Formsan, fez o rapa, ganhando quase tudo – melhor filme, diretor, ator (F. Murray Abraham), roteiro adaptado, direção de arte, figurino e maquiagem. Ufa! Maurice Jartre, que venceu o Oscar de trilha, um dos raros atribuídos a Passagem para a Índia, de David Lean – venceu também atriz coadjuvante, Peggy Ashcroft -, fez seu agradecimento. Thank God que Mozart não era elegível, porque senão até esse Amadeus teria levado. No ano seguinte, William Hurt foi melhor ator por O Beijo da Mulher Aranha e Hector Babenco foi indicado para melhor diretor. Foi o ano em que Steven Spielberg entrou para a lista dos grandes perdedores – A Cor Púrputa teve onze indicações e não ganhou nem um prêmio de consolação. O próprio Steven não foi indicado para direção. Passo por 1986 – o Oscar enfim vencido por Paul Newman, por A Cor do Dinheiro, e Bette Davis, chamada para entregar o prêmio, fez discurso dizendo que era absurdo que ele nunca tivesse ganhado – e chego a 1987. No ano de O Último Imperador, em que Bernardo Bertolucci agradeceu por ter sido acolhido no seio (e tropeçou ao dizer breast, quase saiu bread) da Academia, Cher fez história como a mais malvestida das vencedoras ever. Até hoje as pessoas comentam aquele vestido dela como exemplo do que não usar. Cher agradeceu à cabeleireira e à maquiadora, e não fez nenhuma referência ao roteirista que escreveu suas falas (John Patrick Shanley) nem ao diretor de Moonstruck – Feitiço da Lua, Norman Jewison. Shanley deu o troco numa entrevista para Variety, revelando que escreveu para Sally, a bem amada Field, e que Cher tinha sido segunda opção, depois que a outra recusou. Quer dizer que Sally Field por pouco não teve seu terceiro Oscar? E agora chega dessas histórias do
Oscar. Volto depois de ver Trama Fantasma.

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