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Histórias do Oscar (4)

Luiz Carlos Merten

24 de fevereiro de 2018 | 11h48

Em 1980, o ano de Gente Como a Gente, de Robert Redford, o Oscar foi adiado por 24 horas por causa dos tiros desferidos por John Hinckley, que se definiu como admirador de Martin Scorsese e Jodie Foster – Taxi Driver -, contra Ronald Reagan. Com o ataque ao presidente, a Academia preferiu esperar porque o noticiário estava todo voltado para a Casa Branca. Mas isso não impediu que, um dia depois, e de cara, o apresentador Johnny Carson investisse contra o combalido Reagan, dizendo que seu projeto de cortes nos fundos de apoio à produção independente era o maior ataque ao cinema desde ele, Reagan, assinara contrato de ator com a Warner Bros. Consta que o próprio Reagan riu, ao ser informado. Humor nunca faltou ao garoto-propaganda do neoliberalismo. Leio no Handbook de John Harkness que a sensação da festa, naquele ano, foram Michael Jackson e sua musa, Diana Ross, que chegaram juntos. No ano seguinte, 1981, Carruagens de Fogo e Reds dividiram os prêmios de filme e direção. No tapete vermelho, tanto David Puttnam, produtor de Carruagens, quanto Warren Beatty, ator e diretor de Reds, anteciparam que quem vencesse melhor figurino levaria melhor filme. Deu Milena Canonero, de Carruagens, e o filme dirigido por Hugh Hudson realmente ganhou, sem levar direção. Em 1982, a boa nova, informa Harkness, foi que Louis Gosset Jr. venceu como ator coadjuvante – o primeiro negro da história, na categoria – por An Officer and a Gentleman, A Força do Destino no Brasil. O restante foram os discursos mais tediosos da história do prêmio, com Sir Richard Attenborough e sua trupe dizendo como votar em Gandhi era votar pela paz mundial. Ah, é? Nos bastidores, o Departamento de Estado protestou contra a Academia pela indicação de Missing, o Desaparecido – Um Grande Mistério, de Costa Gavras, por sugerir o envolvimento dos EUA no golpe que depôs Salvador Allende, no Chile. Pelo visto, só eles não sabiam. E ah, sim, o vencedor do Oscar de curta de animação, Zbigniew Rybscyski, havia saído para fumar, ouviu seu nome – venceu por Tango -, tentou voltar correndo, mas se envolveu numa briga com um segurança e foi preso, passando o resto da noite na cadeia.

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